Maria Matheus
O Conselho Nacional de Justiça pode enviar uma equipe da corregedoria para investigar suposto tráfico de influência no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Por enquanto, o CNJ não recebeu denúncia formal, mas acompanha pela imprensa o escândalo que abalou os três Poderes no Estado, depois da divulgação no YouTube de vídeo em que o deputado estadual Ary Rigo (PSDB) afirma que a Assembleia Legislativa repassava R$ 900 mil ao TJ, R$ 300 mil ao Ministério Público e R$ 2 milhões por mês em dinheiro ao governador André Puccinelli (PMDB).
Segundo a assessoria de imprensa do CNJ, mesmo que não receba denúncia contra desembargadores de Mato Grosso do Sul, o órgão pode abrir investigação. A decisão deve ser tomada nos próximos dias.
No vídeo gravado com câmera escondida por Eleandro Passaia, ex-secretário de Governo do prefeito de Dourados Ari Artuzi, Rigo insinua que influenciou decisão do desembargador Claudionor Abss Duarte. Ele conta que estava com Abss Duarte e com Coronel Ayres, chefe de gabinete do deputado Londres Machado (PR), quando foi informado por telefone que o Ministério Público pediu a prisão de Artuzi, em março deste ano.
“Estávamos na frente do Claudionor quando o Alziro ligou no meu telefone às 11h da manhã e falou: ‘olha, tá um zumzum aqui que o Artuzi vai ser preso’. Digo: há meia hora atrás ia, agora já não vai mais”, diz Rigo no vídeo. O deputado, o desembargador e o governador negam tráfico de influência, pagamento e recebimento de propina.
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