Política

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Guerra deve implodir PT e atrapalhar planos

Guerra deve implodir PT e atrapalhar planos

Redação

13/10/2010 - 00h48
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O PT de Mato Grosso do Sul pode implodir depois do segundo turno das eleições presidenciais e prejudicar projetos do partido na sucessão estadual, em 2014. A guerra entre as principais lideranças da legenda, ex-governador José Orcírio dos Santos e o senador Delcídio do Amaral, pode definitivamente deixar o partido em cacos. Os dois entraram separados na campanha eleitoral e acabaram beneficiando os adversários.
O deputado federal Waldemir Moka (PMDB), adversário dos petistas e seus aliados, aproveitou-se da crise para colar a sua candidatura em Delcídio para conquistar a vitória. E conseguiu. Quem acabou pagando caro por isto foi o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT), que passou a campanha inteira ao lado de José Orcírio dos Santos enfrentando a oposição de Delcídio.
Prevendo a derrota nas urnas, o ex-governador não esperou o resultado final da contagem dos votos para atacar o senador Delcídio do Amaral. Ele foi acusado por ter feito “corpo mole” na campanha eleitoral para evitar a sua vitória e ainda ter prejudicado a eleição “quase certa” de Dagoberto Nogueira para o Senado.
Delcídio rebateu de pronto os ataques do ex-governador por meio do seu twitter: “no calor das eleições, eu entendo o sentimento do Zeca (José Orcírio). Em 2006, também passei por isso. E foi muito pior!!!” Delcídio acusou o ex-governador de não apoiá-lo em 2006 quando perdeu, também, o Governo do Estado para André Puccinelli.
A implosão do PT não desestimulou Delcídio de projetar a sua candidatura ao governo, em 2014. Mas antes precisa recompor metade de um “partido ferido” não só pela derrota eleitoral, mas sobretudo pela falta de sintonia das duas grandes lideranças.
Dos petistas que estiveram distantes do palanque de José Orcírio, apenas o deputado federal Antônio Carlos Biffi foi reeleito. Os demais foram derrotados. Já o ex-governador José Orcírio conseguiu a eleição de uma bancada na Assembleia Legislativa, além de ajudar na reeleição do sobrinho, Vander Loubet, para deputado federal.
O grande aliado do ex-governador na bancada estadual, Pedro Kemp, conseguiu a reeleição, deixando para trás os colegas Pedro Teruel e Amarildo Cruz, ligados ao grupo do senador Delcídio do Amaral. O ex-governador ajudou a eleger ainda o ex-prefeito de Dourados, Laerte Tetila, o vereador de Campo Grande, Cabo Almi, e a reeleição do deputado estadual Paulo Duarte.
O senador Delcídio do Amaral acabou ficando sem aliado na Assembleia Legislativa.

Magoado
José Orcírio não esconde de ninguém a sua mágoa com Delcídio e, a partir de agora, os dois estarão em lados opostos dentro do PT. O senador vai precisar do partido para executar o seu plano de concorrer ao Governo do Estado. Mas nem todos petistas estão hoje dispostos a avalisar o seu projeto.
Se depender de petistas ligados ao ex-governador, Delcídio seria convidado a sair do partido. Mas o senador não pretende correr o risco de perder o mandato com a acusação de trocar o PT por outra agremiação. Neste caso, ele seria enquadrado na lei da infidelidade partidária.

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