O PMDB de Mato Grosso do Sul decidiu ontem, por maioria, manter apoio a José Serra (PSDB) no segundo turno da sucessão presidencial, mas liberou o prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), seu vice, Edil Albuquerque (PMDB) e o presidente da Câmara Municipal, vereador Paulo Siufi (PMDB), além do deputado federal Geraldo Resende (PMDB) para fazer campanha de Dilma Rousseff (PT). Ao mesmo tempo, o governador André Puccinelli (PMDB) fez duras críticas à petista.
Segundo ele, a presidenciável não cumpriu acordos firmados com o Estado. “Em um almoço com a Dilma, pedi para recompor valor pago integral com o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do gás. Ela informou ser fácil viabilizar a questão, mas estou esperando sentado até hoje”, contou Puccinelli. “Do Serra, temos, por escrito, a abdicação da querela jurídica do gás”, acrescentou.
Puccinelli ainda declarou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “não fez nada mais do que sua obrigação” ao repassar recursos a Mato Grosso do Sul. “Está dando dinheiro nenhum, está restituindo o imposto”, defendeu.
Mesmo assim, ele reconheceu que, inicialmente, estava disposto a pedir votos para a petista. “Me coloquei na posição de noivo de cravo na lapela, esperando a noiva (Dilma) no altar. A noiva não veio. O noivo cansou de esperar. Agora, vamos ouvir o partido”, disse.
Também sobrou críticas aos adversários da disputa pelo Governo do Estado. Conforme Puccinelli, o ex-governador José Orcírio dos Santos (PT) e o deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) tentaram colocar Dilma contra ele. “Diziam que antes eu chamava (Dilma) de fada madrinha e depois passei a chamá-la de bruxa. Mentira dos caras que não têm fé no taco, que foram lá envenenar o ouvido dela”, declarou. “Eu falava fada madrinha e falava ex-fada madrinha, porque ela me largou abandonado no altar e noivo tem direito de casar, casei bem”, continuou.
Apesar das críticas a presidenciável, no primeiro turno da eleição, o governador exibiu Dilma ao seu lado na propaganda gratuita na televisão. Também apareceu do lado do presidente Lula. Em contrapartida, Serra ficou de fora do seu programa político. Insatisfeitos, os tucanos chegaram a pedir espaço para Serra, mas Puccinelli não atendeu ao apelo dos aliados.
Pressão nacional
Em nível nacional, o PMDB está do lado de Dilma na sucessão presidencial e indicou o deputado federal Michel Temer como vice da petista. Inclusive, segundo o deputado federal Waldemir Moka (PMDB), a reunião de ontem só aconteceu para atender solicitação de Temer.
“Houve um pedido do presidente do PMDB no sentido de, no segundo turno, o partido caminhar com Dilma, em função de sua presença na chapa. Prometemos fazer a reunião, mas o que nós vimos aqui é que o partido maciçamente se coloca na mesma posição (de seguir com Serra)”, contou. Das 37 lideranças presentes no encontro de ontem, 33 manifestaram preferência pelo candidato do PSDB.
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