Em coletiva convocada ontem para falar sobre os panfletos anti-Dilma apreendidos anteontem pela Polícia Federal em São Paulo, o secretário-geral nacional do PT, José Eduardo Cardozo, afirmou que “há indícios veementes de que esses panfletos tenham sido feitos pela campanha do nosso oponente”, referindo-se ao candidato do PSDB, José Serra. O coordenador acrescentou que cerca de 20 milhões de panfletos estavam para ser distribuídos. Além disso, afirmou que a oposição também organizou ações de telemarketing contra Dilma Rousseff.
Dos 20 milhões de panfletos, 1,1 milhão foi impresso na gráfica Pana Editora. Arlety Satiko Kobayashi detém 50% dos ativos da empresa e é irmã do coordenador de infraestrutura da campanha de José Serra, Sérgio Kobayashi. Arlety é também filiada ao PSDB desde 1991, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, e funcionária da Assembleia Legislativa de São Paulo.
Cardoso anunciou uma ofensiva jurídica no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar a autoria da publicação dos panfletos, que divulgavam nota de segmentos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que são contra a candidatura de Dilma Rousseff. A direção nacional do PT enviou petição ontem ao TSE, juntando documentos que comprovariam a ligação política de Arlety Kobayashi e Alexandre Ogawa, donos da gráfica Pana, com o PSDB. O material impresso já foi apreendido pelo TSE por se tratar de propaganda irregular.
“É indiscutível a relação com a campanha de José Serra. É evidente que não poderíamos deixar de entrar com uma ação pública. Os fatos são graves. A central de calúnias que vem atingindo a nossa candidata começa a ter seus autores identificados. É uma coisa tão articulada que não pode ter sido feita por amadores”, disse Cardozo.
Para ele, “é uma propaganda eleitoral manifestamente ilegal. Vamos ainda entrar com ação também contra um telemarketing que pergunta se alguém na casa votou em Marina Silva e então começam a pedir votos para Serra. Há de se perguntar quem tem recursos para uma ação cara como a do telemarketing”.
O presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva, falou que a denúncia chegou aos petistas através de um cidadão. “Não pode ser coincidência. Eu peço que a campanha do outro candidato se manifeste a respeito disso”, pediu.
Cardozo e Edinho destacaram que os documentos apreendidos pela PF foram encomendados por Paulo Ogawa. Segundo eles, Ogawa foi nomeado por serra, em 2000, para trabalhar no Ministério da Saúde.
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Sócia de gráfica que imprimiu planfletos anti-Dilma é do PSDB
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