Política

INVESTIGAÇÃO

Erenice nega tráfico de influência

Erenice nega tráfico de influência

Redação

26/10/2010 - 11h26
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Em depoimento à Polícia Federal (PF), na segunda-feira (25), a ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, negou que tenha participado de um esquema de tráfico de influência em favor de empresas privadas junto a órgãos do governo ou que tenha pedido "contribuições" para a campanha da petista Dilma Rousseff à presidência da República. Erenice também informou ter participado de "reuniões sociais" com pessoas citadas em denúncias de tráfico de influência, como o ex-assessor da Casa Civil Vinícius Castro, e acabou entrando em contradição, admitindo pela primeira vez encontro com empresários que acusam seus filhos e subordinados de cobrança de propina.

A ex-ministra disse à PF que "nunca permitiu, em qualquer hipótese, a quem quer que seja, que tratasse em seu nome sobre assuntos relacionados ao governo federal". "Não solicitou nem sugeriu implícita ou explicitamente qualquer contribuição para a campanha de Dilma Rousseff", completou a ex-ministra.

A Controladoria-Geral da União (CGU), instância do governo responsável por apurar supostas irregularidades cometidas pela ex-chefe da Casa Civil, blindou Erenice Guerra em sua apuração e negou irregularidades em contratos ou negociações envolvendo da então integrante do governo. Apontou, no entanto, fraude e desvio de R$ 2,1 milhões de um contrato entre a Universidade de Brasília (UnB) e o Ministério das Cidades, que tinha como assessor José Euricélio Alves de Carvalho, irmão de Erenice.

No depoimento em que prestou à Polícia Federal nesta segunda, a ex-ministra classificou como "mentirosa" a denúncia do empresário Fábio Baracat, dono da empresa de transporte aéreo Via Net, que disse ter sido cobrada propina de 6% para a viabilização de um contrato de prestação de serviços entre a empresa e os Correios. Também informou que "em momento algum intercedeu a favor da Capital Assessoria em qualquer atividade", empresa com a qual seu filho, Israel, cobraria uma "taxa de sucesso" para atender a empresas interessadas em contratos públicos. De acordo com as denúncias, Israel Guerra teria recebido ilegalmente R$ 5 milhões da MTA Linhas Aéreas, por exemplo, na intermediação de uma transação. Conforme o depoimento prestado à Polícia Federal, Erenice disse que "não sabia que a Capital Assessoria foi responsável pela renovação de voo da MTA junto à Anac em dezembro de 2009 e não tratou do assunto nem com a agência reguladora nem com a Infraero".

Outras denúncias envolvendo Erenice Guerra - negadas por ela à PF - apontam ainda que a empresa Matra Mineração, do empresário José Roberto Camargo Campos, marido da ex-ministra da Casa Civil, teria sido beneficiada com o arquivamento de 14 multas aplicadas em 2004 pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM); que a compra do medicamento Tamiflu, utilizado no tratamento contra a gripe suína, envolveu propina de R$ 200 mil ao ex-assessor Vinícius Castro; e que teria havido uma suposta cobrança de propina para a liberação de um patrocínio da Eletrobras à empresa Corsini Racing e uma eventual fraude no processo de concessão à empresa Unicel pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

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