A presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff, deverá dar continuidade ao processo de redistribuição de renda adotado pelo governo Lula, mas terá o desafio de lidar com o problema da valorização do real frente ao dólar. A valorização é um instrumento de controle da inflação, mas prejudica os exportadores brasileiros que perdem competitividade.
Mas alguns economistas, como o consultor Amir Khair, acreditam que Dilma estará atenta para este problema: "O governo fará uma maior proteção à indústria nacional, especialmente nas concorrências com países que são praticamente imbatíveis no mundo todo, como a China e alguns países do Leste asiático".
Quanto à cotação do dólar frente ao real, o governo já vem adotando algumas medidas que vêm surtindo efeito, como o aumento de imposto para aplicações estrangeiras em renda fixa; mas o economista afirma que talvez elas não sejam suficientes. "Creio que, se depender da Dilma, ainda neste ano será regulada a entrada de recursos, possivelmente uma quarentena. Evidentemente, o problema cambial afeta o mundo todo porque há uma desvalorização do dólar perante todas as outras moedas. Mas eu creio que essa medida será adotada ainda neste governo".
O economista Geraldo Biasoto Júnior não acredita na reversão da valorização do real porque, segundo ele, há uma política de incentivo à exportação de commodities agrícolas: "No governo Lula, temos visto uma tendência permanente à supervalorização do câmbio. Mantivemos a taxa de juros mais elevada do mundo por muitos anos e isso estabelece um diferencial para o investidor externo, pois o juro pago no mercado internacional hoje é quase zero. E há uma entrada cavalar do dólar na economia brasileira. Como o Banco Central tem uma postura extremamente passiva frente a esse processo, é lógico que todos os agentes econômicos trabalham com a hipótese de que o câmbio será permanentemente valorizado".
O economista aponta outro problema que, na sua opinião, não será resolvido no governo Dilma: a má gestão dos recursos públicos. Ele acredita que, em vez de melhorar a gestão, o governo vai preferir aumentar a carga tributária. "O governo poderá tentar voltar a CPMF, que aumentaria a carga em mais 1% do PIB".
Biasoto afirma que o governo Lula aumentou as contribuições sociais incidentes sobre energia elétrica e ampliou a taxação para investimentos em saneamento básico.
Mas, segundo Amir Khair, os investimentos feitos pelo governo na área social e no Programa de Aceleração do Crescimento têm contribuído para o crescimento do País e devem reduzir os custos de investimento das próprias empresas. Neste ano, a expectativa é que o Brasil tenha um crescimento econômico de 7,5%.