O grupo Camargo Corrêa patrocinou seis candidatos eleitos na Assembleia Legislativa e três na Câmara dos Deputados e ainda doou meio milhão à campanha do senador Delcídio do Amaral (PT). No total, a empresa investiu R$ 2 milhões em 16 candidatos de Mato Grosso do Sul, dez deles eleitos. Sem ver cor partidária, a empreiteira injetou pelo menos R$ 49,9 milhões em campanhas eleitorais de todo o País usando, principalmente, duas razões sociais. A Camargo Corrêa Projetos de Engenharia doou quase R$ 3,5 milhões a candidatos em diversos estados, entre eles, nove de Mato Grosso do Sul. A Construtora e Comércio Camargo Corrêa injetou R$ 44,4 milhões em campanhas eleitorais.
O grupo desembolsou R$ 60 mil para a candidatura do vereador Alcides Bernal, eleito deputado estadual pelo PP; doou R$ 80 mil ao ex-prefeito de Dourados Laerte Tetila (PT); R$ 60 mil para o secretário de Habitação do Governador André Puccinelli (PMDB), Carlos Marun (PMDB). Os deputados republicanos Paulo Corrêa e Antônio Carlos Arroyo receberam R$ 80 mil cada um da empreiteira. A doação para o deputado Londres Machado, também do PR, foi mais generosa — R$ 160 mil. Todos conquistaram vagas na Assembleia Legislativa.
Três dos candidatos eleitos à Câmara dos Deputados contaram com doações do grupo empresarial. A empresa contribuiu com R$ 160 mil para a campanha do deputado estadual Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PSDB; investiu R$ 160 mil na reeleição de Antônio Carlos Biffi (PT) e R$ 100 mil na candidatura de Fábio Trad (PMDB). O peemedebista, irmão do prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad (PMDB), foi presidente regional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
Senado
O grupo Camargo Corrêa conseguiu eleger uma "bancada" de pelo menos 13 senadores. No total, ao menos 22 candidatos ao Senado receberam verbas da empreiteira. Delcídio foi um deles. O petista recebeu R$ 500 mil da Construtora e Comércio Camargo Corrêa.
Derrotados
Dentre os candidatos de Mato Grosso do Sul patrocinados pelo grupo, seis não conseguiram se eleger. O deputado estadual Pedro Teruel (PT), que recebeu R$ 80 mil, pleiteava a reeleição, assim como o deputado Amarildo Cruz, beneficiado com R$ 80 mil. Ambos ficaram como suplentes. A vereadora Thais Helena recebeu R$ 80 mil da empreiteira, mas também não conquistou cadeira na Assembleia.
Ao deputado estadual Akira Otsubo, que tentou vaga na Câmara Federal, sem sucesso, a construtora deu R$ 60 mil. Outros R$ 100 mil foram doados ao deputado federal Antônio Cruz (PP), que pleiteava a reeleição. O ex-deputado federal João Grandão (PT) foi beneficiado com R$ 160 mil. Ele tentava retomar uma cadeira na Câmara dos Deputados, depois de quatro anos sem mandato.
A empresa
O grupo atua nos setores de construção, engenharia, cimento e concreto (é responsável pela marca Cauê), geração e distribuição de energia, indústria naval, siderurgia, sapatos, concessão de serviço público, óleo e gás.