O jornalista e ex-secretário municipal de Governo da Prefeitura de Dourados Eleandro Passaia entrou com uma ação na Justiça contra a Editora Abril, e pede R$ 300 mil de indenização por danos morais. A ação é por causa de uma reportagem publicada em setembro na Revista Veja.
Passaia foi autor das denúncias de corrupção que resultaram na Operação Uragano da Polícia Federal, que levou para a cadeia 29 pessoas, entre elas o prefeito Ari Artuzi (sem partido), o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR) e nove vereadores, além de empresários e servidores públicos. Ao todo 60 pessoas foram indiciadas, denunciadas e estão sendo processadas.
A reportagem da Veja se refere a Passaia como "amigo da onça" e afirma que o jornalista só decidiu delatar todo o esquema porque teria sido abordado pela Polícia Federal e feito um acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (MPE) para não ser preso e processado.
Em outro trecho da reportagem a revista diz que Passaia tirou proveito da situação escrevendo um livro sobre as denúncias. "Uma vez fora do esquema, o delator Passaia arranjou outra forma de ganhar dinheiro: escreveu um livro relatando as podridões de seu bando, cujo título é A Máfia de Paletó", afirma a matéria.
Eleandro Passaia classificou como irresponsável a reportagem pelo fato de a revista não ter procurado a PF, o MPE, nem ouvido sua versão. "Eu não fui descoberto, pelo contrário, eu procurei a Polícia Federal espontaneamente e colaborei. Não pratiquei nenhum crime, nem sou réu no processo", argumentou.
Passaia disse ainda que em relação a seu livro vendeu apenas mil exemplares e depois disso disponibilizou a obra gratuitamente pela internet. "Estou processando a revista. Eles me chamaram de bandido e quadrilheiro e agora vão ver que não sou homem de acordos espúrios", finalizou o jornalista.
A matéria publicada na Revista Veja pode ser acessada pela internet, no endereço: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/o-triangulo-da-corrupcao.