Uma guerra por R$ 700 milhões travou as negociações do Governo de Mato Grosso do Sul com o de São Paulo. O governador André Puccinelli (PMDB) recusou a proposta da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) de pagar apenas R$ 300 milhões de indenizações de obras mitigatórias e compensatórias pelo estrago provocado pelas barragens da Hidrelétrica Porto de Primavera no território de municípios sul-mato-grossenses. "Não haverá acordo em torno da proposta da Cesp", declarou André, que vai procurar, nos próximos dias, o atual governador paulista Alberto Goldman (PSDB) para destravar as negociações.
Enquanto houver impasse, Mato Grosso do Sul continuará com a batalha judicial para receber as indenizações da Cesp. Já foram bloqueados cerca de R$ 170 milhões da Companhia pela Justiça de Anaurilândia e Bataguassu.
André admite, no entanto, que terá pouco tempo – até o fim de dezembro deste ano – para acertar o acordo com Goldman. "Mas não vou desistir", disse o governador sul-mato-grossense. O impasse vem se arrastando há anos e os municípios atingidos com o alagamento das terras, maior parte, agricultáveis, ficaram no prejuízo. Além disso, não são beneficiados com a energia produzida pela Cesp com as águas do Rio Paraná. "Metade do rio é nosso", comentou o governador.
Para acabar com a guerra judicial, a Cesp ofereceu R$ 300 milhões para fechar o negócio, sendo R$ 150 milhões de indenizações com obras de mitigação — eliminar os efeitos nocivos provocados pelas barragens da hidrelétrica no território de Mato Grosso do Sul — e R$ 150 milhões de compensação aos municípios atingidos e o Estado.
As negociações empacaram com a intransigência do presidente da Cesp, Vilson Daniel Christofari, de não abrir mão da proposta de R$ 300 milhões. "Desse jeito não há como fazer acordo", disse o governador.
André concorda, porém, com as obras de mitigação, mas as de compensação, segundo ele, "obrigatoriamente terão de passar pela pavimentação asfáltica da MS-040, que vai de Três Barras para Ribas do Rio Pardo, Água Clara, Santa Rita do Pardo, Brasilândia, até a Ponte de Paulicéia (divisa com São Paulo)".
Para não criar mais problemas, o governador disse não fazer questão de receber os R$ 700 milhões em dinheiro. A Cesp ou o Governo de São Paulo, esclareceu, poderá executar as obras em Mato Grosso do Sul com as suas empresas. "O que nos interessa é o benefício da indenização, não quem vai fazer as obras", comentou.
Na hipótese de não fechar acordo com Goldman, André acredita que poderá quebrar a resistência de São Paulo com o futuro governador Geraldo Alckmin (PSDB). "Temos bom diálogo e nos entendemos muito bem", afirmou.
Impacto
Os municípios diretamente impactados com o lago formado pelas barragens da Hidrelétrica Porto de Primavera são Bataguassu, Anaurilândia, Santa Rita do Pardo, Três Lagoas e Brasilândia.
Os municípios atingidos indiretamente pelo alagamento de seus territórios são Selvíria e Batayporã.