Política

TSE

Tentativa da Justiça Eleitoral de barrar doação oculta fracassa

Tentativa da Justiça Eleitoral de barrar doação oculta fracassa

Redação

08/11/2010 - 00h20
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BRASÍLIA
A tentativa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de inibir a prática das chamadas doações ocultas nas eleições deste ano fracassou.

Não é possível saber a origem exata de R$ 179 milhões dos R$ 801 milhões que abasteceram as campanhas, revela levantamento feito pela Folha Online sobre as prestações de contas de todos os 567 congressistas eleitos. Isso aconteceu porque, em vez de serem destinados diretamente aos candidatos, os recursos foram doados aos partidos políticos, que os repassaram.

Com isso, na prestação de contas do candidato são os diretórios partidários que aparecem como responsáveis pela doação -- e não as empresas que efetivamente fizeram as contribuições.

Apesar de não ser ilegal, a manobra permite que empresas doem a candidatos sem ter o nome associado diretamente a eles.

Em março, o TSE determinou, por meio de uma resolução, que os diretórios deveriam identificar "origem e destino" das doações.

Porém, uma brecha permitiu a manutenção da prática: a resolução não exige que essa prestação de contas faça a ligação individual doador-candidato.

Em outras palavras, a regra dá margem para que os partidos mantenham a prática de apenas listar os doadores e, em outra parte, os dos candidatos beneficiados, sem ligar uma ponta à outra.

A única alteração feita pelo TSE foi a antecipação da divulgação das prestações dos partidos, que neste ano aconteceu simultaneamente à divulgação das prestações dos candidatos - antes, era no ano seguinte.

O valor doado de forma oculta representou 22% do total de doações dos eleitos para o Congresso. Ao todo, 360 eleitos receberam algum tipo de doação oculta.

Um caso emblemático é o de Maurício Trindade (PR-BA), eleito deputado. Dos R$ 651,2 mil declarados ao TSE, R$ 650 mil foram repassados a ele por seu partido.

Coordenador da campanha de José Serra (PSDB), o senador Sérgio Guerra, eleito deputado federal, recebeu R$ 2,7 milhões do partido, do qual é o atual presidente.

No Senado, o destaque é Edison Lobão (PMDB-MA), reeleito para a Casa. Para sua campanha, R$ 4,1 milhões (75,4% do total) vieram do caixa do PMDB.

Em valores absolutos, o novo senador de quem o eleitor terá menos informações sobre quem o financiou será Lindberg Farias (PT).

Ex-prefeito de Nova Iguaçu e dono da campanha mais cara do novo Congresso (R$ 14 milhões arrecadados), Lindberg recebeu R$ 10,3 milhões por meio do PT.

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