O Comitê Regional de Defesa Popular quer a cassação dos mandatos dos 11 vereadores de Dourados indiciados pela Polícia Federal com base nas investigações da Operação Uragano e que também foram denunciados por corrupção e formação de quadrilha pelo Ministério Público Estadual (MPE).
O Comitê, formado por mais de 40 entidades representativas de vários segmentos da sociedade douradense (principalmente sindicatos de trabalhadores), protocolou o pedido de abertura de processos de cassação dos vereadores na secretaria da Câmara Municipal no final da tarde de ontem.
"As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público deixam claro que é dever do Poder Legislativo abrir processos de cassação dos mandatos. A sociedade está mobilizada neste sentido", afirmou o coordenador do Comitê Ronaldo Ferreira Ramos, ao fazer a entrega do documento.
Ramos disse ainda que o Comitê Regional de Defesa Popular também irá entregar pedido semelhante aos diretórios municipais dos partidos aos quais os vereadores são filiados. "Também é um dever dos partidos políticos tomarem providências em relação a tudo o que ocorreu", finalizou o coordenador.
De acordo com o Regimento Interno da Câmara apenas a mesa diretora ou os partidos que tenham representatividade na Casa podem entrar com pedidos de abertura de comissões processantes com o objetivo de cassar mandatos de vereadores.
Vereadores
Dos 12 vereadores que compunham o legislativo douradense até o último dia 1º de setembro, quando foi deflagrada a Operação Uragano, apenas Délia Razuk (PMDB) não foi indiciada pela Polícia Federal, nem denunciada pelo MPE. Atualmente ela ocupa o cargo de prefeita interina, porque o prefeito Ari Artuzi (sem partido) e o vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR) estão presos e foram afastados do cargo pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJ-MS).
Dos outros 11 vereadores, nove foram presos no dia da operação e depois afastados dos cargos pelo TJ-MS. Seis conseguiram habeas corpus e foram soltos. Sidlei Alves (DEM), Humberto Teixeira Júnior (PDT) e Edivaldo Moreira (PDT) ainda permanecem presos.
O atual presidente da Câmara Dirceu Longhi (PT) e o 1º secretário da mesa diretora Gino Ferreira (DEM) embora não tenham sido presos foram indiciados pela Polícia Federal e denunciados pelo Ministério Público.