Política

AVALIÇÃO PÓS-ELEIÇÕES

Insatisfeitos são aconselhados a deixar o PT

Insatisfeitos são aconselhados a deixar o PT

Redação

13/11/2010 - 04h55
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Ainda em ritmo de avaliação dos resultados da campanha, o ex-governador José Orcírio dos Santos, candidato do PT derrotado na disputa pelo Governo de Mato Grosso do Sul, defende a saída dos insatisfeitos do partido e a criação de regras de conduta para 2012.

No próximo dia 27, o PT reúne vereadores, deputados, diretórios municipais e lideranças para analisar e programar as ações do partido, já visando 2012. "Quero propor uma reflexão, de qual o projeto do PT no Mato Grosso do Sul. Se quer continuar sendo polo de resistência ou adesão ao projeto do PMDB", afirmou.

Para ele, o PT tem que repensar o que será bom para o partido, definir diretrizes e estabelecer que só devem permanecer na legenda aqueles que se enquadrarem no formato. "Vamos fazer um grande debate, refletir o PT. Quem não concordar, que encontre outros rumos", disse.

Aquele que seria o projeto do PT de se manter na oposição ao PMDB começa a se clarear, avalia Orcírio. "Vamos passar uma régua e definir regras claras". O comportamento de filiados e lideranças na campanha também preocupa o ex-governador. Por isso, ele defende que o PT passe a ser rígido com os correligionários considerados infiéis. "Será que vamos continuar com a política do vale-tudo?", questionou. "Cinco dos dez prefeitos do PT não fizeram campanha. Tinha candidato pedindo voto para outros partidos", acrescentou.

A avaliação que ele próprio quer apresentar ao partido é que foi positivo o resultado da eleição em Mato Grosso do Sul. "Se você considerar que três em cada dez (eleitores) não compareceram, e de cada sete, 3,7 votaram nele (André Puccinelli), e 3,2 votaram em nós; isso em uma eleição desigual financeiramente, reafirmamos ser um polo de resistência", disse.

 Delcídio
Além disso, Orcírio evitou falar sobre as rusgas com o grupo liderado pelo senador Delcídio do Amaral. O senador já afirmou que a corrente da qual participa deve tomar o comando do partido. Para o ex-governador, "é uma polarização que não se justifica, faltando tanto tempo para essa eleição (interna)".

Ele não poupou, no entanto, críticas ao fato de Delcídio já se declarar candidato ao Governo do Estado em 2014. "Não estou a fim de discutir projeto pessoal. Acho uma besteira, uma mediocridade. Não é dele a vontade. Claro que vontade pessoal é positiva, mas tem que saber qual o projeto do PT e para o PT", afirmou.

O ex-governador também ressaltou que não tem rusgas pessoais com Delcídio. "Se ele se adequar melhor a essa roupagem do PT, tudo bem. Mas antecipar é de uma arrogância, não contribui para nada", disse.

A afirmação de Delcídio de que Orcírio teria que se submeter às instâncias partidárias incomoda o ex-governador. "Eu sou fundador do PT, se tem alguém que conhece esse partido sou eu. Estou desde 1981, não preciso de aula, nem de orientação sobre as instâncias", declarou.

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