Política

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

André terá maioria, mas em águas revoltas

André terá maioria, mas em águas revoltas

Redação

16/11/2010 - 02h00
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Apesar de poder contar, na nova configuração da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, com a maioria dos deputados estaduais - 17 dos 24 - em sua base aliada, o governador André Puccinelli (PMDB) não navegará em águas tão tranquilas. Diferentemente do que ocorre neste seu primeiro mandato, que se finda no próximo dia 31 de dezembro, onde dispõe de uma bancada de 20 escudeiros, terá que em 2011 desatar muitos nós, principalmente pelas características dos representantes partidários da oposição e, sobretudo, com vistas às eleições municipais de 2012. Afinal, estará em jogo as prefeituras, como a cobiçada jóia que é a de Campo Grande, trampolim para voos mais altos dos políticos, como ao Governo do Estado ou ao Senado Federal.

Do seu partido, o PMDB, André terá na Casa seis integrantes, um a menos do que na atual legislatura. Desses, um deles, Marquinhos Trad - o campeão de voto (56.287) - já demonstrou ter fôlego suficiente para caminhar sozinho, respeitando as linhas programáticas peemedebistas, mas esboçando reações contrárias a do governador, o que fez nos últimos quatros anos em diversas oportunidades, chegando a ser considerado um "rebelde". Assim como André não mudará sua condição política, o mesmo pode se dizer de Marquinhos. Portanto, é mais fácil apostar em uma bancada fidelíssima de cinco ao em vez de seis.

Além disso, a família Trad (Nelson pai, que se aposenta da Câmara Federal; Fabinho, eleito deputado federal; o próprio Marquinhos e Nelsinho, prefeito de Campo Grande), com certeza vai querer dar as cartas para a sucessão municipal. Vale lembrar que Nelsinho é um prefeito com mais de 70% de aprovação e se não houver algum acidente de percurso deverá chegar ao final do seu mandato em condições folgadas de eleger o seu substituto. Substituto esse, é claro, que reze em sua cartilha.

Além do mais, há também a primeira dama Maria Antonieta que, a partir de 2011, assume a condição de suplente ao Senado. Evidentemente não deixará de continuar desenvolvendo seu amplo trabalho social e ampliando os horizontes políticos. Que ninguém duvide que ela deixará definitivamente os bastidores para assumir a linha de frente nas futuras batalhas eleitorais, na disputa pelos votos por uma titularidade e não suplência. Essas questões, portanto, terão eco na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

Oposição direta

André terá, pelo menos por enquanto, quatro partidos na trincheira oposta que totalizam 7 parlamentares. A bancada do PT vai fazer oposição declarada. A legenda petista manteve o número atual, mudando apenas os nomes para a próxima legislatura. Assim, saem Amarildo Cruz e Pedro Teruel entrando Laerte Tetila (de uma das correntes radicais do partido) e Cabo Almi (ala mais moderada) que auxiliarão os reeleitos Pedro Kemp e Paulo Duarte nas críticas ao Governo e na tentativa de pavimentar o caminho para a agremiação tentar conquistar a Prefeitura de Campo Grande, de Dourados, de Corumbá e quantas outras puder.

Aos petistas - e por uma questão de sobrevivência no Legislativo - deverão se somar o PP representado por Alcides Bernal, o PDT de Felipe Orro e o PSL de George Takimoto. Sozinhos, ou em bloco, esses parlamentares deverão, acredita-se, incomodar o governador. Com o passar dos dias é que se poderá ver, da tribuna, o tamanho das garras e línguas ferinas, politicamente falando, desses parlamentares.

Esses partidos estarão empenhados em ter papel na corrida sucessória pela conquista das prefeituras. O pedetista deputado federal Dagoberto Nogueira, por exemplo, tão logo encerrada as eleições passadas quando disputou e perdeu uma das vagas ao Senado anunciou sua pré-candidatura a Prefeitura de Campo Grande. Antonio Cruz, do PP, que não conseguiu reeleger embora bem votado, pode se habilitar à disputa desde que se acerte, é claro, com Alcides Bernal que deseja o comando do partido. Takimoto não está descartado para a Prefeitura de Dourados. Políticos experientes, esses parlamentares sabem que uma voz só é "clamar no deserto" mas, em conjunto, aí vira "clamor de multidão" e incomoda.

André Puccinelli, portanto, vai ter que articular muito bem para não ter surpresas. Como já foi deputado estadual e federal, ele sabe muito bem como as coisas funcionam. O aliado de hoje, pode ser o adversário de amanhã. A política, dizem, é a arte do diálogo. Desde que se deixe o outro falar e, também, saiba ouvir.

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