A Justiça Estadual iniciou ontem os interrogatórios de testemunhas e acusados de envolvimento com o esquema de fraudes e desvio de recursos desmontado na Operação Uragano da Polícia Federal em Dourados. Estavam previstas as oitivas de dez pessoas, mas as sessões foram fechadas, devido ao segredo de justiça do processo.
O primeiro a ser ouvido pela juíza da 1ª Vara Criminal de Dourados, Dileta Terezinha Souza Thomaz, seria o jornalista e ex-secretário municipal de Governo, Eleandro Passaia, responsável pelas denúncias que iniciaram a investigação. Com autorização judicial e orientação da Polícia Federal, ele fez gravações de áudio e vídeo em que empresários repassavam e secretários municipais, vereadores e o prefeito recebiam propina.
A prefeita interina de Dourados, Délia Razuk (PMDB), também foi ouvida como testemunha, arrolada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Eleita vereadora, Délia assumiu o Executivo depois do afastamento dos vereadores indiciados e também do prefeito Ari Artuzi e do vice Carlinhos Cantor. Nove dos 11 vereadores foram afastados, mas outros dois – Dirceu Longhi (PT) e Gino Ferreira (DEM) – também foram denunciados por envolvimento no esquema. Somente Délia, segundo a PF, não teve participação.
A Justiça não confirmou, mas a reportagem apurou que todos os vereadores ainda presos deveriam comparecer ontem pela manhã, mas somente Edivaldo Moreira chegou a ir ao Fórum, onde um grande esquema de segurança foi montado. Os interrogatórios continuam na próxima semana.
De todos os presos na operação, ainda estão presos o prefeito Ari Artuzi e a esposa Maria Artuzi; o vice Carlinhos Cantor; os vereadores Sidlei Alves, Junior Teixeira, Marcelo Hall e Edivaldo Moreira; os ex-secretários Dilson de Sá, Alziro Moreno, Tatiane Moreno e Inês Bosquetti. Todos os vereadores que foram ou ainda continuam presos estão afastados, a exemplo do prefeito e do vice.