Política

TRANSIÇÃO

Dilma convida Meirelles para discutir futuro do BC

Dilma convida Meirelles para discutir futuro do BC

Redação

20/11/2010 - 03h10
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A indefinição sobre quem conduzirá o Banco Central (BC) do Brasil sob o governo de Dilma Rousseff deve continuar pelo menos até a próxima semana. Ontem, em Frankfurt, na Alemanha, o atual ocupante do cargo, Henrique Meirelles, informou ter sido convidado pela presidente eleita para uma reunião que definirá o futuro do BC e o seu próprio destino. De quebra, garantiu que a chefe de Estado é a favor da autonomia da instituição.

O convite foi feito por telefone, na noite de quinta-feira, por um assessor direto de Dilma, cujo nome não revelou. "A equipe de transição me transmitiu o convite da presidente para termos uma conversa na semana que vem sobre o Banco Central no próximo governo", anunciou, falando a jornalistas brasileiros e estrangeiros, durante um evento promovido pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet. Participavam ainda Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve (FED), a autoridade monetária americana, e o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn.

Queixando-se das especulações sobre a sucessão no BC, Meirelles afirmou que trazia a informação a público para evitar insegurança nos mercados financeiros. Sem entrar em detalhes sobre o teor do diálogo telefônico, confirmou o contato e se negou a fazer qualquer projeção sobre que cargo ocupará no novo governo, estimulando o suspense sobre sua permanência ou não no BC a partir de 2011. "Eu não tenho expectativa. Estou muito feliz de estar concluindo o governo com o presidente Lula, um trabalho que deu certo, que me gratifica muito", argumentou. "Tudo aquilo que nós nos propusemos a fazer oito anos atrás está demonstrando ter sido bem-sucedido neste momento."

Questionado sobre se aceitará o cargo caso seja convidado a permanecer, Meirelles tergiversou: "Isso será objeto de conversa". A seguir, completou garantindo que não levará condições para a reunião com Dilma.

Meirelles ainda fez questão de afirmar que não vê ameaças à independência do BC na próxima gestão. Ele disse não ter ouvido diretamente da futura presidente sobre a suposta meta de reduzir a 2% a taxa de juros real em 2014. "A presidente eleita tem declarado repetidas vezes que é totalmente favorável à autonomia do Banco Central. É um sistema de trabalho que deu certo e acreditamos que vai continuar normalmente", reiterou.

Legislativo
Indagado sobre se continua a favor da aprovação de um projeto de lei em trâmite no Congresso Nacional visando a garantir a autonomia do BC - que hoje é de fato, mas não de Direito -, Meirelles ficou mais uma vez em cima do muro. "Tenho declarado repetidas vezes que essa questão da autonomia legal é uma prerrogativa do Congresso Nacional e do presidente. Não cabe ao Banco Central comentar."

Nem mesmo sobre a confirmação de que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, será reconduzido ao cargo no governo de Dilma tiraram a autoridade monetária da neutralidade. "Não posso comentar notícias não confirmadas", argumentou, sem proferir nenhum elogio ou crítica à escolha. "É um período fértil para especulações. Vamos aguardar as decisões da presidente."

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