Política

NOVA TENTATIVA

Derrotados nas urnas se preparam para 2012

Derrotados nas urnas se preparam para 2012

Redação

27/11/2010 - 08h37
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Donos de consecutivos mandatos eletivos, parlamentares e governantes derrotados na eleição deste ano preparam-se para "atravessar um deserto" até 2012, segundo palavras de um deles.

O desafio é conseguir, sem um cargo público, se manter no cenário político e na mídia, algo fundamental para a construção de uma candidatura para a próxima eleição municipal.

Até lá, uns pretendem voltar a dar aulas, advogar ou administrar propriedades rurais. Outros querem viajar pelo país, em palestras e seminários. A atuação política na direção dos partidos nos estados é um caminho comum para a maioria.

“Enfrentar uma eleição sem mandato é mais difícil que enfrentar uma eleição com mandato. A visibilidade política que a gente tem no cotidiano é bem menor”, diz a deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS), que não conseguiu se reeleger e pretende tentar uma vaga na Câmara de Vereadores de Porto Alegre em 2012.

Ela não sabe ainda se poderá concorrer porque a lei impede a candidatura de parentes de governantes. O pai dela, o ex-ministro Tarso Genro, se elegeu governador pelo PT no Rio Grande do Sul.

“O espírito dessa lei é impedir as oligarquias familiares que se sucedem no poder. No meu caso, é evidente que não há esse sentido de oligarquia familiar, até porque fui expulsa do partido do meu pai”, argumenta.

Enquanto a eleição não chega, ela diz que fará mobilizações para levantar o debate sobre sua candidatura, voltará a dar aulas de inglês e retomará o curso de direito. Além disso, manterá as atividades na direção do partido no estado e na direção nacional.

Luciana Genro teve a oitava maior votação para a Câmara dos Deputados no estado, com 129,5 mil votos, mas não se elegeu porque seu partido não atingiu o coeficiente eleitoral. O último dos 31 deputados federais eleitos pelo estado teve 28,2 mil.

“Eu estava bem mais empenhada em conseguir eleger um deputado estadual, que o partido não tem no Rio Grande do Sul, do que na minha própria eleição porque achava que a minha eleição estava garantida”, diz.

Para ela, houve um erro de avaliação em relação à força do PT no estado, e o partido acabou tirando votos de legenda do PSOL.

“É claro que uma derrota sempre traz lições e, nesse caso, trouxe essa lição de que a gente não pode subestimar os adversários e não pode considerar uma eleição ganha antes da hora. Não quero passar a impressão de que fiz pouca campanha pra mim mesma. Fiz muita campanha. Fiquei muito tempo em Porto Alegre, onde tinha mais potencial de transferência de votos para os nossos candidatos, e não viajei tanto ao interior, o que acabou me prejudicando.”

'Um passo para trás e dois para frente'

Encarar a derrota como vitória política faz parte do jogo. É o que pensa o deputado federal Flávio Dino (PC do B). Apesar de ter sofrido o segundo revés eleitoral consecutivo, ele diz que termina o ano “feliz e sem dívidas”.

Dino disputou as eleições para o governo do Maranhão e teve como principal adversária a governadora Roseana Sarney (PMDB), que se reelegeu com uma margem apertada de votos: 50,08%. Por muito pouco, a disputa não foi ao segundo turno. Mas a “ressaca eleitoral”, conta o deputado, “passou em 24 horas”.

“O importante para mim era manter a trajetória de acúmulo. Na primeira eleição que disputei [em 2006, para deputado federal], tive 126 mil votos. No primeiro turno de 2008 [quando disputou a Prefeitura de São Luís], tive 169 mil. No segundo turno [de 2008], tive 215 mil e agora, 860 mil votos. Foi um prejuízo agora para recuperar adiante. É o que diz a sabedoria popular: dar um passo pra trás pra dar dois pra frente”, ensina.

Os próximos passos já estão traçados: disputar a prefeitura da capital maranhense em 2012. Até lá, voltará a dar aulas na Universidade Federal do Maranhão e a advogar. Dino também preside o partido no estado e faz parte da Executiva Nacional do PC do B, o que lhe garante "inserção política".

A “travessia do deserto”, como define o período sem mandato, não assusta. “Meu pai sempre me disse: ‘Política não é profissão. Não viva de mandato, não se apegue a mandato’. Tanto é que ele nunca ‘permitiu’ que eu fosse candidato antes de construir uma trajetória profissional. Não tenho esse impacto de ‘e agora, o que eu faço da vida?’. Não sou um político profissional”, diz.

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