Os dois candidatos que disputaram o segundo turno das eleições 2010, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), fecharam as contas de campanha no vermelho. O déficit constatado na prestação de contas da presidente eleita Dilma Rousseff (PT) é de R$ 27,7 milhões, o triplo da dívida deixada por seu principal adversário na disputa, José Serra (PSDB), R$ 9,6 milhões. Os tesoureiros das campanhas informaram que as dívidas serão pagas pelos partidos dos candidatos.
A contabilidade petista, entregue ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra gasto total de R$ 177 milhões (mais cerca de R$ 6 milhões em bens estimáveis), sendo que os R$ 27,7 milhões representam um buraco total de 16%. Proporcionalmente, o déficit é maior do que Lula registrou na disputa à reeleição, em 2006, cerca de 10% do que havia arrecadado, conforme a Folha Online.
Segundo o tesoureiro do PT, José de Filippi Jr., as contas da campanha, refeitas, mostraram que o rombo estava em torno de R$ 40 milhões no dia da eleição, em 3 de outubro (o próprio tesoureiro havia informado valor menor na ocasião, entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões), débito que teria sido diminuído graças a cartas enviadas a empresários em nome de Dilma e a um mutirão de dirigentes petistas que buscaram novas doações.
O PSDB terá um passivo menor para pagar depois do período eleitoral. O partido informou ao TSE uma receita de R$ 120 milhões e um total de gastos de R$ 129,6 milhões. Segundo o comitê financeiro, a campanha tucana de 2010 teve cerca de 250 doadores, com destaque para bancos e empreiteiras, segundo o portal G1.
As duas legendas assinaram termos de compromisso com a Justiça Eleitotral assumindo as dívidas de campanha. Pelo acordo, o débito deve ser quitado em até 12 parcelas.
Ontem venceu o prazo para a apresentação das contas dos candidatos que disputaram o segundo turno das eleições.
Financiadores
Segundo Filippi, o maior doador de Dilma foi o PT, que repassou a ela cerca de R$ 20 milhões dos cerca de R$ 130 milhões que arrecadou por conta própria. Excluído o valor sobreposto, a campanha de Dilma e o PT arrecadaram quase R$ 300 milhões na campanha.
Entre as empresas que figuram como maiores financiadoras da campanha de Dilma estão a Camargo Corrêa, UTC, Andrade Gutierrez, CSN e Friboi.
O custo total desta eleição, que deve ultrapassar R$ 3 bilhões em valores declarados pelos candidatos (média de R$ 20 por eleitor), já é 42% maior se comparado ao de 2006, mesmo sem as contas finais de Dilma, Serra e dos 18 candidatos a governador que disputaram o segundo turno.
Em 2006, os candidatos gastaram cerca de R$ 1,9 bilhão e, em 2002, as despesas ficaram em R$ 1,1 bilhão, valores corrigidos pelo IPCA.
Força-tarefa
O TSE montou uma força-tarefa para que a área técnica aprecie em apenas oito dias as contas da presidente da República eleita, Dilma Rousseff (PT), e de seu vice, Michel Temer (PMDB). Desde ontem, 16 pessoas trabalham no exame dos documentos entregues pelos candidatos para emitir o parecer técnico.
A Justiça Eleitoral examina a documentação apresentada pelos candidatos eleitos, para poder seguir com o processo de diplomação, que habilita os candidatos a tomar posse nos cargos. A Lei das Eleições fixou o dia 9 de dezembro para o plenário do TSE apreciá-las. A cerimônia de diplomação da presidente e do vice-presidente eleitos está programada para o dia 17 de dezembro.