A presidente eleita, Dilma Rousseff, bateu o martelo sobre a nomeação de dois peemedebistas para seu ministério. A petista vai anunciar hoje os nomes de Edison Lobão para o Ministério de Minas e Energia e de Wagner Rossi para continuar na Agricultura.
Dilma oficializará, ainda, a nomeação de seu núcleo político, os ministros com assento no Palácio do Planalto: Antonio Palocci na Casa Civil; e Gilberto Carvalho na Secretaria-Geral. Ainda é possível que formalize Alexandre Padilha para continuar no comando das Relações Institucionais, cargo também com gabinete palaciano.
No bloco de titulares que serão confirmados nesta sexta-feira, ainda pode integrar o deputado José Eduardo Cardozo, convidado pela presidente eleita para assumir o Ministério da Justiça. Paulo Bernardo, escolhido para as Comunicações, também pode ser apresentado na mesma data.
Esta será a segunda etapa de anúncios feita na transição, já que os nomes da equipe econômica foram divulgados há oito dias. Na ocasião, foram oficializados os ministros Guido Mantega (Fazenda), Miriam Belchior (Planejamento) e Alexandre Tombini (Banco Central).
A decisão de já formalizar os dois nomes peemedebistas foi tomada para acalmar os ânimos do maior partido da aliança em torno da petista. A legenda, que reivindica cinco ministérios, ameaçou um motim depois que o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), apontou seu secretário Sérgio Côrtes como nome certo para o Ministério da Saúde. Como a decisão não passou pelas bancadas do PMDB no Congresso, nem pelos dirigentes partidários, houve descontentamento público e o auxiliar de Cabral acabou enfraquecido.
Para evitar crise maior, a presidente eleita teve de dizer, publicamente, que ainda não havia definido o titular da pasta.
A ideia de entrega do Ministério da Saúde a um indicado do governador fluminense à revelia dos dois principais partidos da coligação vitoriosa em 31 de outubro gerou muito desgaste entre peemedebistas e petistas. No PMDB, a indicação foi rejeitada com ênfase reforçada pela cobiça do partido em relação ao Ministério das Cidades - visto como uma joia da coroa, devido aos amplos recursos que manipula para tocar obras públicas.
Já no PT a irritação foi turbinada pela bancada petista na Câmara dos Deputados, frustrada porque até agora não conseguiu emplacar nenhum nome seu no novo ministério - os petistas confirmados até agora, como Antonio Palocci, Guido Mantega e Paulo Bernardo, são apontados como ligados diretamente à presidente eleita. "Há muito mal-estar em Brasília", confidenciou uma fonte próxima à coordenação petista. "O PT está em pé de guerra, o Dutra está histérico", completou.