Política

BOQUINHA NO GOVERNO

Pequenos ministérios causam alvoroço nas correntes ideológicas do PT

Pequenos ministérios causam alvoroço nas correntes ideológicas do PT

Redação

12/12/2010 - 00h00
Notícia sem imagem

Após definir os titulares da maior parte dos ministérios mais ricos e refrear a ânsia do PMDB, a presidente eleita Dilma Rousseff deve voltar-se nos próximos dias para um grupo de pastas que, embora pequeno e com poucos recursos, provoca alvoroço nas bases de apoio e nas correntes ideológicas que disputam espaço no PT.

Um caso exemplar é o do Desenvolvimento Agrário. Em decorrência de acertos internos do PT, a pasta é controlada pela corrente Democratica Socialista, da qual faz parte o governador eleito Tarso Genro (RS). Por causa disso, após a passagem dos gaúchos Miguel Rossetto (2003-2006) e Guilherme Cassel pelo posto, há dois anos a corrente vem preparando seu terceiro ministro. O nome escolhido foi o do ex-secretário nacional do PT, Joaquim Soriano, que há dois anos desembarcou no ministério com a tarefa de coordenar um de seus mais ambiciosos programas, Territórios da Cidadania.

A sucessão parecia tranquila, até o nome dele passar a receber críticas em reuniões da equipe de transição com representantes de entidades interessadas na vida do ministério. Afirmou-se, entre outras coisas, que o ex-secretário seria um burocrata de partido, sem poder político. Logo em seguida, surgiu na mesa, com o apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a maior entidade de representação de pequenos agricultores do País, o nome do ex-governador e senador eleito Wellington Dias (PT).

Quem o defendeu disse que fez um bom governo no Piauí e tem cacife político para fortalecer a pasta. Também se afirmou que, após dois ministros originários do Rio Grande do Sul, teria chegado o momento do Nordeste, argumento que agradou governadores nordestinos da base de apoio do governo. Outros nomes surgiram no embalo da polêmica, entre eles o da secretária do Planejamento de Sergipe, Lucia Falcon, e até ganhou corpo a ideia de se manter Cassel no cargo.

O debate não acaba, porém, com a definição do ministro. Tão ou mais complicado será escolher o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Autarquia vinculada ao Desenvolvimento Agrário, com a missão de levar adiante programas de reforma agrária, ela atua com organizações historicamente ligadas ao PT e que costumam ser mobilizadas em momentos de crise política e eleições, como a Contag, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O enredo sucessório também complica na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, criada em 2003 para atender a reivindicações de organizações do movimento negro — outro aliado petista. Ao escolher um dos nomes da lista de cotados a ministro da pasta, Dilma também definirá se vão predominar em Brasília petistas e militantes de São Paulo ou do Rio. Na gestão de Matilde Ribeiro (2003-2008), ligada ao PT de São Paulo, a secretaria foi tomada por paulistas. Seu sucessor, Edson Santos (2008-2010), do Rio, preferiu equipes cariocas.

Líder sindical
Se Dilma optar pela permanência do atual ministro tampão, Eloi Ferreira de Araujo, que assumiu em março, privilegiará o Rio. No contrafluxo, o PT de São Paulo aposta no deputado federal Vicentinho, que começou a carreira como líder sindical no ABC Paulista, tem influência na CUT e é bem visto pela militância negra.

A deputada federal Janete Pietá também é citada no lado paulista. Mas o caso não se resume à disputa São Paulo-Rio. Os baianos já levaram dois nomes para a equipe de transição. Os mineiros também têm seu candidato. As disputas envolvem ainda a Secretaria das Mulheres, para a qual também existe lista de candidatos. Por outro lado, há um esforço unificado das diferentes correntes para que o Ministério das Cidades retorne o controle do partido. Na avaliação de Renato Simões, secretário nacional de Movimentos Nacionais, o ministério, criado em 2003, com Olívio Dutra, é o que mais agrega políticas e movimentos originários do próprio PT, envolvendo habitação, saneamento, esporte, lazer, saúde e transporte.

Catarinenses
Na semana passada, ao bater o martelo a favor da senadora Ideli Salvatti (SC) para o ministério da Pesca, Dilma manteve o critério da divisão de poderes por região: desde 2003, a pasta é dominada por catarinenses. No caso de Direitos Humanos, que desperta atenções na esquerda, a escolha privilegiou a acomodação ideológica interna. A deputada federal Maria do Rosário (RS) integra o Movimento PT, segunda maior corrente do partido, da qual faz parte Arlindo Chinaglia, ex-presidente da Câmara.

Segundo Valter Pomar, da direção nacional do PT e ligado à Articulação de Esquerda, o debate das correntes e dos movimentos de base tem sido mais intenso e não envolve apenas as pastas menores. "A polêmica vai até cargos como o do presidente do Banco Central", diz ele.

Eleições 2026

Eleitor que faltou no 2º turno tem até 8 de janeiro para justificar o voto

Pessoas, de 18 a 69 anos, que viajaram, mudaram de cidade, ficaram doentes ou por qualquer outro motivo deixaram de votar, devem justificar o voto

05/11/2026 10h25

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica

Eleitor depositando seu voto na urna eletrônica Paulo Ribas

Continue Lendo...

mato grosso do sul

Pessoas físicas doaram R$ 5,36 milhões para candidatos ao governo e ao Senado

O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) e o senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) concentraram 75,3% das contribuições

05/11/2026 08h00

Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel

Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel Marcelo Victor

Continue Lendo...

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).