O ex-prefeito de Dourados Ari Artuzi (sem partido) quebrou ontem o silêncio e concedeu sua primeira entrevista desde o dia 1º de setembro quando foi preso, acusado de corrupção, na Operação Uragano da Polícia Federal. Mesmo tendo sido filmado recebendo dinheiro que seria de propina, ele negou envolvimento com desvio de recursos e ainda afirmou ter sido vítima de uma armação feita pela Polícia Federal e pelo autor das denúncias que culminaram com a sua prisão, o jornalista e ex-secretário municipal de Governo Eleandro Passaia.
Ele não citou nomes, mas afirmou acreditar que Passaia tenha sido orientado por outras pessoas para fazer as gravações que culminaram com as prisões dele, do ex-vice-prefeito Carlinhos Cantor (PR), de nove vereadores e mais 18 pessoas, entre elas ex-secretários municipais, servidores públicos e empresários.
O ex-prefeito afirmou que está morando em Dourados em um sítio de sua propriedade e negou ter sofrido qualquer tipo de ameaça durante o período de 94 dias em que esteve preso. Ele passou por três locais diferentes, todos em Campo Grande, a delegacia do 13º DP, a sede do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras) e a Penitenciária Federal de Segurança Máxima. "Não tenho medo, eu já saí daqui (do sítio) e fiquei sozinho. Estou no sítio e se quiserem me matar aqui é o lugar mais fácil", disse.
Corrupção
Flagrado em uma filmagem em que ele e a esposa Maria Aparecida Freitas receberam R$ 20 mil em dinheiro das mãos de Passaia que, conforme as investigações da Polícia Federal, era pagamento de propina por parte do empresário José Antônio Soares, conhecido como ‘Zeca do MS’, Artuzi negou a irregularidade. O ex-prefeito disse que o dinheiro era parte do pagamento da venda de um terreno de sua propriedade e afirmou ainda que não foi Passaia quem fez o repasse dos recursos, mas sim o funcionário da imobiliária que intermediou a venda. "Aquele dinheiro foi de um terreno que eu vendi por R$ 20 mil. Por isso que a Maria aparece na imagem perguntando ser só isso. Foi R$ 10 mil para cada um e ela não sabia da divisão do valor", justificou.
Artuzi também negou que tenha mandado Passaia entregar dinheiro de propina a vereadores e chegou a afirmar que o ex-secretário de Governo é que deveria ter sido preso em seu lugar. "Não sei de onde saiu o dinheiro, do meu bolso não foi. Tem que saber quem entregou o dinheiro para ele. Se o Passaia pegou o dinheiro, quem deveria ser preso era ele e não eu", acrescentou o ex-prefeito.
Ele também falou sobre as denúncias de que construiu um grande patrimônio pessoal depois de entrar na política. Negou ser dono de fazendas e afirmou que sua movimentação financeira nos últimos anos é resultado das vendas de um sítio no município de Caarapó e ainda de uma casa e vários terrenos em Dourados.
A reportagem foi veiculada ontem pela TV Morena, emissora afiliada à Rede Globo de Televisão.