Debaixo de um sol forte, perante cerca de 300 pessoas, entre políticos e familiares, o corpo do ex-senador e ex-governador Orestes Quércia foi sepultado às 9h30min de ontem na quadra 15, setor 1, do Cemitério do Morumbi, zona sul da Capital. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), participou da cerimônia, que contou com três salvas de tiros. “Quércia é um exemplo de determinação e respeito à democracia”, afirmou. A bandeira do Estado de São Paulo que cobria a urna foi dobrada e entregue à viúva, Alaíde Quércia.
O prefeito de Araraquara (SP), Marcelo Barbieri (PMDB), um dos mais próximos aliados do líder peemedebista, fez um discurso de improviso antes de o corpo ser sepultado, agradecendo Quércia por “tudo o que fez pelo o Brasil e pela democracia”. “Seu exemplo, Quércia, jamais será esquecido”, afirmou. “Você cumpriu sua missão, um exemplo de amor aos mais simples, mais pobres, mais humildes. Sua história é de um vencedor, de dedicação.”
Quércia morreu às 7h40min de sexta-feira (24), aos 72 anos, vítima de um câncer na próstata. Deixou seis filhos. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde o dia 18 de novembro.
O corpo do ex-governador foi velado no hall nobre do Palácio dos Bandeirantes, com guarda de honra. O governador Alberto Goldman (PSDB) decretou luto oficial de sete dias. Ainda no velório, Goldman disse que Quércia era “um homem que fazia política do fio de bigode, não precisava escrever e registrar em cartório porque o conversado estava combinado”.
Quércia desistiu de concorrer ao Senado nas eleições de outubro por causa da doença. Durante o período eleitoral, passou 36 dias internado. Teve alta no dia 6 de outubro, um mês após renunciar à candidatura para senador.
Ao desistir de concorrer a senador, Quércia beneficiou Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), tucano que começou mal nas pesquisas e acabou sendo eleito para a primeira vaga paulista — a segunda ficou com Marta Suplicy (PT).
Com o peemedebista fora da disputa, Aloysio viu seu espaço na TV crescer para 5min29s, disparado o maior entre os candidatos.
Em nota divulgada à imprensa, logo após a desistência, Quércia pediu votos ao tucano. Sua filha Andreia apareceu diversas vezes no horário eleitoral para declarar o apoio da família ao aliado.
Biografia
Ex-radialista, Quércia já foi vereador e prefeito de Campinas, senador, deputado estadual, vice-governador e governador de São Paulo de 1987 a 1991. Ele foi um dos fundadores do PMDB e presidente do diretório paulista do partido.
Desde que saiu do governo, Quércia não venceu nenhuma eleição. Disputou a corrida presidencial em 1994, o governo estadual em 1998 e 2006 e o Senado em 2002.
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