Política

fim de mandato

Lula chora em sua terra natal em despedida

Lula chora em sua terra natal em despedida

Redação

29/12/2010 - 08h39
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A voz embargou e as lágrimas encheram os olhos em dois momentos do discurso de despedida. Em sua terra natal, a quatro dias do fim do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se poupou de autoelogios e inflamou uma plateia formada por empresários, políticos locais e, principalmente, operários, nas obras do complexo industrial e portuário de Suape, no litoral sul de Pernambuco.

"Saio da Presidência e o legado mais importante que eu quero deixar é que vocês podem chegar lá. Eu cheguei e vocês podem", disse, dirigindo-se aos operários. "É só vocês teimarem e lutarem que vocês podem mudar a história desse País, definitivamente."

A solenidade marcou o lançamento da pedra fundamental da fábrica de automóveis da Fiat, que entrará em operação em três anos. "Não poderia deixar de vir a Pernambuco faltando poucos dias para o fim do meu mandato", argumentou.

O choro teve de ser contido quando ele lembrou o passado de retirante e citou as dificuldades das crianças nordestinas, mas chorou no fim do discurso, ao agradecer aos pernambucanos pela reeleição em primeiro turno do governador Eduardo Campos (PSB), um dos seus principais aliados na região.

Empolgado, Lula se autonomeou como o presidente "que mais trabalhou na história do País", ostentou alguns bons resultados da economia e garantiu ter sido o político "que mais lutou pela liberdade de imprensa".

Ao declarar que o Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2016, disse que foi no governo do "torneiro mecânico socialista e sem diploma de nível superior" que houve a maior operação de capitalização da história do capitalismo mundial.

À noite, em Recife, voltou a citar Campos, que foi comparado a um diamante que não se encontra todo dia. "Um mestre, um menino que ainda vai ter futuro neste país."

Com a faixa da Ordem do Mérito dos Guararapes, recebida do governador, brincou dizendo que, ao passar a faixa presidencial para Dilma, permanecerá com a faixa pernambucana. O presidente voltou a chorar na festa de despedida na praça do Marco Zero, que contou com repentistas, violeiros e forrozeiros.
 

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