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Fundador do PSDB, Feldman deixa partido

Fundador do PSDB, Feldman deixa partido

Redação

26/04/2011 - 00h00
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Tucano histórico e um dos escudeiros do governador Mário Covas, o ex-deputado Walter Feldman anunciou ontem sua saída do PSDB deixando claro, pela primeira vez, quem considera responsável pela crise interna do partido: o governador Geraldo Alckmin. "A candidatura (a prefeito, em 2008), de maneira equivocada, quebrou a aliança PSDB-DEM e fez o estrago que existe hoje. Depois de já ter sido candidato a prefeito, a governador, a presidente, e a prefeito e a governador de novo, mostrou uma sucessão única, onde apenas um candidato se coloca dentro do PSDB para disputar todas as funções."

A mais recente baixa do PSDB deve aproximar ainda mais a crise do Palácio dos Bandeirantes. Mesmo os 6 dos 13 vereadores da sigla que anunciaram a desfiliação não chegaram a acusar diretamente o governador, preferindo mirar as críticas a secretários estaduais como José Aníbal (Energia) ou Julio Semeghini (Gestão), eleito presidente do diretório municipal.

Para centrar fogo em um tucano importante, Feldman recorreu ao histórico de líder do governo Covas (morto em 2001) e presidente da Assembleia Legislativa, além de ter sido secretário municipal desde os primeiros dias da gestão José Serra na Prefeitura até agora - ele está de viagem marcada para Londres, após deixar a Secretaria de Esportes para dar lugar a Bebeto Haddad, do PMDB. As críticas surpreenderam os aliados de Alckmin, que não esperavam ataques tão duros, que remontam não só à eleição de 2008, mas às de 2004 e 2000.

"O governador Geraldo Alckmin foi catapultado como um político do interior para disputar a eleição de 2000 aqui na capital", disse Feldman, que era um dos pré-candidatos tucanos na época e acabou coordenando a campanha do PSDB. "Em 2004, o governador, de maneira equivocada, sugere a candidatura de Saulo Abreu, secretário de Segurança Pública sem nenhuma formação social-democrata, mostrando já um desvio no seu compromisso com a cidade", emendou.

Questionado se a crise se deve a um projeto de poder de Alckmin, o ex-deputado foi categórico: "Não tenho a menor dúvida, essa é a verdade". "No único momento que essa trajetória foi contestada, que é 2008, para que a aliança (com o DEM) e a lealdade (de Kassab com Serra) fosse respeitada, se demonstrava que estava em jogo um projeto de poder e a dificuldade do governador, e de seu grupo, de ficar fora desse núcleo de poder."

À noite, Alckmin foi questionado sobre as críticas de Feldman e o fato de ter sido diretamente responsabilizado pela crise interna do PSDB, mas limitou-se a desejar "felicidade" aos colegas que estão deixando o partido. "Não. Imagina. Eu desejo que as pessoas sejam felizes", respondeu o governador.

Partidos. Feldman fez questão de deixar claro, ao anunciar sua saída do PSDB, na manhã de ontem, que a decisão não tem influência de Kassab ou relação com a criação do PSD, como costuma lembrar o presidente municipal dos tucanos, Julio Semeghini. "Quem errou muito foram eles (aliados de Alckmin). A aliança estava programada para persistir e ela teria persistido até hoje. Possivelmente não haveria PSD se houvesse isso, não haveria saída dos vereadores."

Aos amigos, Feldman nunca escondeu que ser prefeito de São Paulo era um de seus sonhos políticos. Sem espaço para tanto dentro do PSDB, seu destino poderia ser em siglas como PSB, PPS ou PV, essa última cotada para abrigar alguns dos seis vereadores que anunciaram a saída do PSDB. Como não foi eleito deputado em 2010, Feldman não corre risco de ter o mandato cassado por infidelidade partidária.

Goldman. Outro nome ligado a José Serra, de quem foi vice, o ex-governador Alberto Goldman afirmou que "não há nenhuma hipótese" de deixar o PSDB. Para tanto, deve encontrar Alckmin hoje, no Palácio dos Bandeirantes, e reafirmar a disposição de ficar no partido. Goldman é ligado a um dos vereadores que anunciaram a saída do PSDB, Juscelino Gadelha. Ambos militaram no antigo PCB e no PMDB, destino do parlamentar paulistano. "Se ele (Juscelino) viesse falar comigo, eu diria que não deveria fazer isso", disse Goldman.

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