Política

CASO SANASA

Escutas envolvem políticos

Escutas envolvem políticos

Redação

28/05/2011 - 08h00
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Escutas telefônicas feitas pelo Ministério Público com autorização da Justiça sugerem que empresas que atuavam no suposto esquema de fraudes em contratos da Sanasa contavam com ajuda de políticos, pelo menos um deles ligado ao PSDB paulista, para defender seus interesses e de investigados no caso envolvendo contratos com a Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp).

Consta no relatório do Gaeco que as interceptações de conversas do empresário Luiz Arnaldo Mayer, dono da Saenge, uma empresa do setor de saneamento, “deixam muito evidente que as questões de suas contratações públicas estão intimamente ligados a contatos e relacionamentos políticos, exatamente nos mesmos moldes de atuação de José Carlos Cepera, que inclusive é mencionado nas conversas”.

Cepera é o empresário que deu início a toda operação que na semana passada levou à prisão 11 pessoas e implodiu o núcleo de governo do prefeito Helio de Oliveira Santos (PDT). Ele é acusado pelo MP de ter empresas usadas para fraudar licitações e desviar recursos públicos pagando propina a agentes públicos e superfaturando contratos.

Mayer, segundo as apurações do Gaeco, atuaria nos mesmos moldes que ele, no ramo de água e esgoto, e com relações com Cepera.

Há contratos da Sanasa, no grupo supostamente liderado pela primeira-dama de Campinas, Rosely Nassim Jorge Santos, mas também na Sabesp. Para o MP, os indicativos de fraude e corrupção são claros. “Sendo necessário destacar que não é a primeira vez que há menção de irregularidades em contratos públicos da Sabesp”, anota o MP.

Diálogos

Nas sete páginas em que trata do assunto, uma das transcrições, de uma conversa de Mayer com um suposto vereador, é relatada “uma tragédia ocorrida na Câmara”.  O homem não identificado disse que não teria sido realizada a votação de interesse do empresário em razão da ação do presidente, o qual teria impedido as votações em virtude de discussão de secretárias.

O diálogo ocorreu em 11 de abril. Mayer pergunta então “quem estava intercedendo nos negócios do Cepera, ao que foi respondido que Edson Aparecido, Trípoli e o próprio Lobo”.

Aparecido é o atual Secretário de Desenvolvimento Metropolitano do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e foi eleito deputado em 2010.


Não há referência sobre os outros nomes dos demais citados, mas a família Trípoli tem no Legislativo dois representantes: o deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP) e o vereador paulistano Roberto Trípoli (PV). Lobo é o sobrenome do ex-coordenador das campanhas de José Serra e presidente do PSDB de São Paulo. Os três negaram conhecer o empresário e a Sanege. Afirmaram nunca ter feito pedidos em nome da firma.

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