A base aliada está contrariando a orientação pública do governador André Puccinelli (PMDB) com a manifestação de apoio à aprovação da candidatura da senadora Marisa Serrano (PSDB) ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). O líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Júnior Mochi (PMDB), está articulando apoio a Marisa dentro da base. Mas não confirmou ter recebido a orientação do governador. Apenas recebeu um pedido do presidente da Casa, deputado Jerson Domingos (PMDB), para pedir votos em favor de Marisa, em nome do governador.
As declarações públicas de André são de apoio à indicação do deputado estadual Antonio Carlos Arroyo (PR). Ele, inclusive, sempre procurou esquivar-se de falar da candidatura de Marisa. Apenas citava a candidatura do parlamentar republicano. "Se fosse deputado, votaria no Arroyo", costumava dizer aos jornalistas.
Arroyo chegou a questionar o governador sobre as articulações nos bastidores de apoio a Marisa. Segundo ele, André não confirmou a orientação para aprovar o nome da senadora e sempre o incentivou a continuar brigando pela vaga de conselheiro do TCE. Mas grande parte da bancada do PMDB e do PSDB estão fechados com a candidatura da senadora. "Quando o presidente entra e o governador entra, o esquema fica forte", explicou, ontem, o deputado Londres Machado (PR), admitindo a orientação nos bastidores de André para a base votar em Marisa.
No PMDB e PSDB, a exceção fica para o peemedebista Marquinhos Trad e para o tucano Onevan de Matos. O primeiro declarou apoio a Arroyo e o segundo mantém em segredo o voto. Eles acham estranho a Assembleia Legislativa entregar sua vaga no Tribunal de Contas para a senadora. A bancada do PT é outra contrária à manobra da base governista de aprovar a indicação de Marisa.
A senadora, por sua vez, nem sequer foi à Assembleia Legislativa pedir votos. Ela conta com o empenho do seu "procurador", deputado Márcio Monteiro (PSDB), de viabilizar a aprovação da indicação de seu nome. Os deputados eleitores de Arroyo consideram isto um descaso da senadora com o Legislativo.
Outra questão que está pesando contra a indicação de Marisa é o fato do seu primeiro suplente, Antonio Russo, acusado de falência fraudulenta do Frigorífico Independência, um dos maiores do País, representar Mato Grosso do Sul no Senado. Marisa, por sua vez, é considerada uma política respeitada.
Sabatina
Na sessão de ontem, os deputados discutiram alguns detalhes da sabatina, prevista para acontecer na próxima terça-feira (14) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com os candidatos à vaga no TCE.
Diante do interesse de Arroyo (presidente da CCJ) na escolha e do parentesco de Márcio Monteiro (segundo integrante mais velho da comissão) com Marisa, o deputado Pedro Kemp (PT) vai presidir a sessão. Arroyo e Monteiro serão substituídos, respectivamente, pelos deputados Márcio Fernandes (PTdoB) e Professor Rinaldo (PSDB).
Atendendo a pedido do deputado Marquinhos Trad, a sabatina será transmitida ao vivo pela TV Assembleia. Isso porque a sessão será a portas fechadas.
O deputado Marquinhos Trad considerou a sabatina como muito importante e considerou que vagas para os conselhos têm de ser técnicas e as indicações não poder ocorrer por "amizade de políticos".
Ouça o áudio da entrevista com o deputado Marquinhos Trad: