O governador André Puccinelli (PMDB) atribuiu ontem ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado Jerson Domingos (PMDB), a aprovação do nome da senadora Marisa Serrano (PSDB) para o conselho do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele, no entanto, deixou claro não ter o orientado. Só admitiu ter pedido o voto do deputado Alcides Bernal (PP), eleito pela oposição, para a indicação da senadora.
Sobre eventual aproximação com o Planalto, por ampliar a base de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT) no Senado, o governador voltou a afastar envolvimento na ida de Marisa para o TCE. Mas reconheceu que a posse de Antônio Russo no lugar da tucana tende a melhorar a relação com o Ministério dos Transportes, comandado pelo PR, partido para o qual Russo deve voltar.
"Quem cabalou os votos (para Marisa) foi o presidente Jerson Domingos", declarou André, ontem, no lançamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. Ele repetiu que "se pudesse votar, em sendo deputado, votaria em Antônio Carlos Arroyo (PR)" para viabilizar a volta de Youssif Domingos (PMDB) à Assembleia.
Ainda segundo o governador, não partiu do Executivo orientação para Jerson pedir votos em favor da senadora do PSDB. "Eu liberei os meus parlamentares. Todo mundo foi liberado para fazer o que quiser de suas vidas", contou. "Eu pedi votos para a Marisa, pedi, especificamente para um parlamentar (Alcides Bernal)", acrescentou.
O fato é que a base aliada votou em peso na indicação da senadora ao TCE. Por outro lado, na votação anterior, do deputado Antônio Carlos Arroyo, apenas quatro, dos 17 governistas, disseram "sim" a candidatura do deputado do PR.
Segundo parlamentares da base aliada, a ida de Marisa ao TCE aproxima o governo estadual à presidente Dilma, pois afasta uma opositora ferrenha no Senado e dá espaço ao seu suplente, que, antes da posse da tucana no TCE, voltará para o PR, partido da base aliada de Dilma.
"Não tem diferença nenhuma, não tem interferência nenhuma, eu sempre tive, com os governos federais, desde o tempo de prefeito, um relacionamento formal muito bom", rebateu André Puccinelli. Em seguida, ele reiterou não ter agido para Marisa virar conselheira do TCE. "Eu fiz tudo, eu criei o mundo em sete dias, eu sou poderoso, mas não me imputem coisas que eu não tenha feito", completou.
Indagado, então, se a ampliação da bancada do PR no Senado o aproximará do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), André disse que "provavelmente", mas voltou a afirmar que "não tenho participação nenhuma" na indicação de Marisa ao TCE.