O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse hoje (1º), em São Paulo, durante entrevista ao programa "Roda Viva", na TV Cultura, que tem prazer no cargo e negou que esteja “pedindo para sair” do governo. Na semana passada, o ministro declarou em entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo" que votou no então candidato José Serra, do PSDB, principal adversário da presidente Dilma Rousseff, na eleição de 2010.
“Não, absolutamente não, tenho projetos para tocar. [..] Eu estou no governo porque me dá prazer”, disse o ministro. O programa foi gravado e irá ao ar na noite desta segunda.
Questionado se perdeu poder no governo atual, o ministro negou. “Absolutamente, continua a mesma coisa”, disse.
Jobim contou que reencontrou a presidente depois da declaração sobre o voto no Serra. Segundo informou o blog de Cristiana Lôbo na semana passada, a presidente Dilma Rousseff não gostou da declaração do ministro.
“Foi uma sessão formal, ela me cumprimentou”, afirmou. Segundo o ministro, ele tem uma relação ótima com a presidente.
“Já fui advogado, professor, deputado e tudo o que faço, faço com gosto. Sou ministro com prazer. Eu tenho desejo de continuar.”
Ele explicou que, durante a campanha de Dilma, conversou com o presidente Lula e disse que era amigo pessoal do candidato do PSDB, por isso “não tinha condições nenhuma de fazer campanha contra Serra”.
Na sexta-feira, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o ministro e disse que o voto é “uma coisa sagrada” e “cada pessoa vota do jeito que quer”.
Jobim também ocupou o Ministério da Defesa na administração de Lula, que disse tê-lo convidado para integrar o governo pelas suas qualidades e "competência".
Presidente licenciado do PMDB, partido de Jobim, o vice-presidente da República, Michel Temer, minimizou o episódio na semana passada. Segundo ele, a opção do ministro não irá abalar sua reputação. “É um quadro muito valioso no PMDB e faz um trabalho excelente no Ministério da Defesa. A franqueza dele não altera sua posição no governo.”
Ao final do programa, o ministro voltou a comentar sua permanência no governo. Ele disse não pensar na possibilidade de pedir demissão. “Nem penso nisso, inclusive me surpreendeu a reação que tenho visto na imprensa. Pessoalmente, não tenho conhecimento de nada”, disse.
Jobim acrescentou, no entanto, que a decisão sobre o cargo de ministro é sempre da presidente Dilma. “Evidentemente, há um projeto que eu sou entusiasta, que é a implantação de todo um modelo de defesa. Se puder continuar, tudo bem, se não puder continuar, tudo bem”, afirmou.
Ele reafirmou gostar do que faz. “Tenho prazer porque é um tema novo, que estou descobrindo.”
Ele também disse ter uma imagem “ótima” da presidente. “Ela é uma mulher extraordinária, tem uma capacidade de trabalho incrível, uma percepção de mundo muito forte e uma percepção do destino do Brasil, que é fundamental”, opinou.
Questionado ainda durante a gravação do programa o que faria se deixasse o cargo, Jobim respondeu que iria para onde a mulher, que irá se aposentar, decidisse.
(Com informações do G1)