As suspeitas de desvios de recursos públicos no Ministério da Agricultura, que ganharam fôlego com declarações do ex-chefe da comissão de licitação da pasta, Israel Leonardo Batista, já são investigadas pela Polícia Federal. A corporação confirmou nesta quarta-feira que há dois dias um inquérito sobre o caso foi instaurado.
Batista foi o primeiro a ser interrogado pela investigação do caso. A PF não adianta detalhes, mas confirmou que, em depoimento na segunda-feira, confirmou ter recebido dinheiro do lobista Júlio Fróes após a assinatura de um contrato milionário do Ministério com uma empresa que ele representava. A declaração já havia sido dada na semana passada ao jornal F. de São Paulo.
O ex-chefe da comissão de licitação da ainda afirmou que imagens do circuito interno de câmeras da sede do ministério poderiam provar irregularidades. Batista também salientou que "haveria sérios riscos dessas imagens desaparecerem caso Wagner Rossi (PMDB) continue como ministro".
Ontem, o líder da bancada do PSDB na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), protocolou na Procuradoria Geral da República (PGR) uma solicitação para que o órgão busque na Justiça um mandado de busca e apreensão, com o objetivo de recolher vídeos de câmeras de segurança. O pedido ainda não foi respondido pelo procurador-geral da república, Roberto Gurgel.
Em nota divulgada nessa terça, o ministro da Agricultura admitiu ter pego carona em "raras ocasiões" no jatinho da empresa Ourofino Agronegócios, de Ribeirão Preto (SP). Segundo reportagem do jornal Correio Braziliense, funcionários do aeroporto relataram que Rossi e um de seus filhos, o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP), sempre são vistos embarcando na aeronave, avaliada em US$ 7 milhões. No comunicado, o ministro negou, porém, favorecimento à empresa, que tem um assessor especial de Rossi como um dos sócios, segundo o jornal.