Estar à frente do governo da bela Capital Morena no momento em que a cidade celebra 112 anos, e poder construir, com nossa gente, um conjunto extraordinário de obras de infraestrutura e de direta valorização humana, eis um privilégio inigualável para um homem público.
Ter a clareza de que esse conjunto de obras, que se estende sobre todo o panorama da Capital, contribui decididamente para a ampliação dos valores da cidadania – ao abrir novas perspectivas socioeconômicas e humanas – e para a construção de uma nova dinâmica na vida de Campo Grande, configura a realização dos mais legítimos anseios de um administrador.
Mais ainda, se esse administrador teve o prazer de nascer e crescer nesta cidade que, de pacata e brejeira se transforma em metrópole regional sem perder o charme e o viço das belas morenas que há décadas lhe emprestaram o insinuante apelido.
Nós nos vimos crescer: a Cidade Morena me viu tantas vezes disparar com a ‘companheirada’ peralta por suas ruas e travessas, atrás de pipas desgarradas; ou a desbravar seus vastos quintais de mangueiras misteriosas. Quanto a mim, vi a Campo Grande de minha infância, tímida e reticente, ganhando ares cada vez mais altivos, como uma menina que de repente já é moça bela e feita.
Com tal intimidade entre nós, que mais poderia eu sonhar, como homem público, além do privilégio de governar esta Campo Grande em momento tão decisivo de sua história?
Delegada pelo voto popular de seus filhos natos e adotivos, a missão de preparar Campo Grande para o futuro, tanto me desafia quanto me enche de alegria e ânimo. Até porque, sempre tive muito claro que esta bela cidade que agora chega aos 112 anos foi, é óbvio, pequena e bucólica – mas já nasceu com vocação de metrópole, com traços urbanos que rejeitam, desde sempre, a condição de provinciana, naquilo que o termo possa ter de depreciativo.
Planejada com ruas largas, avenidas monumentais, alamedas e praças com generosos espaços para o verde e para a vida, a Campo Grande que há mais de um século despontava nas pranchetas era, sem dúvida, uma cidade futurista. Fiel a esse compromisso com o futuro, de constante ruptura com o trivial, Campo Grande constrói uma trajetória extraordinária. E se consolida como uma das mais promissoras e aconchegantes metrópoles regionais do País.
A condição de fiel depositário desse extraordinário patrimônio, e mais que isso, a tarefa de gestor temporário do processo de conexão de Campo Grande com o futuro, nesses anos ainda inaugurais do século 21, são atribuições que me têm desafiado nos últimos anos. Fiel ao slogan em que se fundamenta o nosso governo – ‘Campo Grande é a gente que faz’ – estou convencido de que sou, tão somente, o representante de minha geração à frente dos destinos de uma Cidade que temos o compromisso ético e responsabilidade histórica de entregar ainda mais bela, próspera e generosa às gerações futuras.
Por isso, no momento em que a gente tem o privilégio de entregar à Cidade um conjunto de 120 obras, com investimentos de R$ 521 milhões, tomo a liberdade de abrir, com este artigo, uma reflexão, ao longo deste mês de aniversário, sobre a experiência extraordinária de consolidar uma Campo Grande pronta para o futuro.
* Nelson Trad Filho é prefeito de Campo Grande