A Procuradoria da República no Distrito Federal informou nesta terça-feira (4) que, diante de novas provas, avalia a possibilidade de abrir um inquérito criminal para investigar a evolução do patrimônio do ex-ministro da Casa Civil, Antonio Palocci.
O petista deixou o cargo após a publicação de uma reportagem pelo jornal "“Folha de S.Paulo"” segundo a qual ele teve o patrimônio aumentado em 20 vezes entre 2006 e 2010. Palocci teria recebido R$ 20 milhões somente em 2010, por meio da Projeto, empresa da qual é proprietário e que prestava serviços de consultoria a empresas.
Procurado pelo G1 para comentar o caso, o advogado do ex-ministro não retornou às ligações da reportagem até a publicação desta reportagem. Quando ainda era ministro, em entrevista à TV Globo, Palocci negou que tenha feito tráfico de influência. Também não informou a lista de clientes da Projeto nem quanto teria faturado porque, segundo ele, não poderia expor as empresas em um ambiente político “conturbado”.
“Não acho justo expor empresas num ambiente político conturbado, num ambiente de conflito. Se empresas forem feridas com isso, a perda em relação a sua imagem, etc, ninguém pode repor. Então eu prefiro assumir pessoalmente a explicação dessas coisas do que expor uma série de pessoas e empresas”, afirmou na ocasião.
Em nota, o Ministério Público Federal confirmou a informação publicada pelo jornal”, nesta terça, de que os novos fatos não foram publicados na imprensa e não faziam parte das representações protocoladas pela oposição antes de Palocci se demitir do governo.
No início de junho, Gurgel arquivou essas representações que pediam a abertura de inquérito criminal para investigar a evolução patrimonial do petista. Por isso, as informações foram encaminhadas ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Também na Procuradoria da República no DF, Palocci já responde a inquérito civil que apura se houve enriquecimento ilícito do ex-ministro.
A decisão sobre desarquivar ou não o caso será do procurador Gustavo Pessanha Velloso, do 3º Ofício Criminal, porque, ao deixar o cargo, Palocci perdeu o foro privilegiado e não será mais investigado pela Procuradoria-Geral da República.
“A análise do requisito legal para desarquivamento deverá ser feita pelo procurador natural do caso no âmbito criminal, confrontando as novas informações com o que constou nos autos da representação no momento da decisão de arquivamento”, afirmou a nota do Ministério Público.