Política

PRESIDÊNCIA

Estilo firme marca 1º ano do Governo Dilma

Estilo firme marca 1º ano do Governo Dilma

Redação

30/12/2011 - 00h00
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A presidente Dilma Rousseff completa no próximo domingo seu primeiro ano de governo com uma popularidade recorde de 72% e um estilo sóbrio e firme de governar e evitar os golpes da crise. A primeira mulher na Presidência do Brasil impôs um estilo muito diferente do apresentado por Luiz Inácio Lula da Silva: mais gerencial e menos político; mais discreto e sem o carisma popular de seu padrinho político.

"Seu estilo mais duro, de gerente, que dá esta imagem de dama de ferro que enfrenta a corrupção, está agradando a classe média tradicional", afirmou Ricardo Ribeiro, analista da MCM consultores. Os fatores que impulsionaram esta popularidade recorde para um primeiro ano de governo são a imagem de que enfrenta a corrupção e, em primeiro lugar, "a satisfação dos brasileiros com a economia", explica Renato Fonseca, gerente do Ibope.

Dilma afastou seis ministros acusados de corrupção nos últimos seis meses, incluindo pastas chave, como a de Esportes, no país que receberá o Mundial de futebol de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016.

Governabilidade e economia também são desafios ao futuro de Dilma. "No segundo ano cai a inércia favorável, que vinha da herança do governo Lula, que terminou com 80% de popularidade e um PIB de 7,5%. Agora, a população pode se mostrar mais crítica e pedir mais do governo, incluindo reformas que não empreendeu, sobretudo se a crise impactar o Brasil e se aumentarem as denúncias e as disputas entre seus aliados" da coalizão de governo, explicou João Augusto de Castro, analista do BrazilPolitics.

Controlar uma base aliada de dez partidos tradicionalmente pouco leais e com interesses próprios não é fácil, especialmente em um ano de 2012 com eleições nos 5 mil municípios do País. Dilma conseguirá se sua popularidade a mantiver, ou inclusive Lula, como opção para as presidenciais de 2014, afirmou Ribeiro.

Terceira mulher mais poderosa do planeta no ranking da revista Forbes e na liderança da sexta economia do mundo, à frente da Grã-Bretanha, Dilma fez da resistência econômica do Brasil o eixo de seu governo, impondo fortes medidas para defender e incentivar indústria e consumo. A economia brasileira cresceu 7,5% em 2010, mas neste ano rondará 3% devido à crise, e o mistério é se resistirá bem à crise em 2012.

O ano de 2012 será próspero para os brasileiros e "melhor que 2011", afirmou Dilma, consciente de que um retrocesso econômico no Brasil acabaria com seus planos de tirar 16 milhões de brasileiros da miséria e colocaria em jogo os avanços sociais do governo Lula, que tirou 28 milhões da pobreza. A previsão do governo é de uma alta do PIB de 4 a 5% em 2012.

A ex-guerrilheira de 64 anos, que enfrentou a ditadura e sofreu com prisão e tortura, mantém o objetivo de seu antecessor de impulsionar o crescimento econômico e reduzir a desigualdade social. O objetivo é de modernizar o País com infraestruturas e serviços de saúde e educação de qualidade, um sonho para uma nação com déficits gigantescos nestas áreas. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, considera que o Brasil levará de 10 a 20 anos para alcançar os níveis de vida europeus.

Em política externa, Dilma não mostra o apreço pelas viagens de Lula, e teve uma agenda mais restrita, com menos retórica e mais prática. A América do Sul lidera a lista de prioridades, segundo o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Dilma se interessa por unir posições na região e com os grandes países emergentes, e busca mais peso para o Brasil, de acordo com o crescimento de sua economia, nos fóruns e instituições internacionais, como o FMI, a ONU ou o G20.

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