Surpreendida com o relatório do TCU, a bancada federal, também, estuda a hipótese de reavaliar a indicação de Pascoal para a chefia do Dnit. O coordenador da bancada, deputado federal Geraldo Resende (PMDB), pretende entrar em contato ainda hoje com os parlamentares para estudar nova saída. Ele está cauteloso, porém, com as notícias sobre o Pascoal. O deputado disse que está tomando cuidado para não fazer nenhum prejulgamento.
O deputado federal Antonio Carlos Biffi (PT) é apontado por Geraldo de ser o responsável por apresentar à bancada o nome do engenheiro Carlos Antònio Pascoal para comandar o Dnit. Todos apoiaram a indicação.
“Não tem sentido avalizar a indicação de uma pessoa envolvida em irregularidades”, advertiu o deputado Fábio Trad. Ele lamenta o fato do coordenador da bancada, Geraldo Resende, e dos deputados mais experientes não buscarem antes informações sobre Pascoal. Para Fábio, “a bancada fica numa situação constrangedora por não ter tido a percepção destas irregularidades”.
“Ora, se o ex-superintendente (Marcelo Miranda) foi demitido em razão de irregularidades, como é que se pode manter a indicação de alguém que, auditado pelo TCU, teria cometido irregularidades também?”, questionou Fábio. “Retiro o meu apoio, aguardando que haja o mesmo consenso em torno de um novo nome que não tenha qualquer macula no serviço público”, afirmou.
O Tribunal de Contas da União fez auditoria em três contratos, que somaram R$ 459 milhões, supervisionados pelo engenheiro Carlos Antonio Pascoal. Pelo relatório do TCU, foram constatadas irregularidades de superfaturamento, sobrepreço e fiscalização omissa na construção de trechos da BR-163 na divisa de Mato Grosso com o Pará. Num dos três contratos supervisionados por Pascoal, o maior prejuízo apurado pelo TCU foi de R$ 22 milhões na execução dos serviços de implantação, pavimentação e recuperação de erosões no trecho da rodovia que iniciava no Km 0 até o 102,3 da BR-163.
A execução desses serviçsos, que causaram prejuízos milionários, foi feita por consórcio formado pelas empresas Agrimat Engenharia Indústria e Comércio junto com a Cavalca Construções e Mineração, além da Lotufo Engenharia e Construções.
Até o momento, a bancada conseguiu emplacar apenas a nomeação do novo superintendente-adjunto, o engenheiro Antonio Carlos Nogueira.