O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta sexta-feira a última sessão de radioterapia a que foi submetido para combater um câncer na laringe, diagnosticado em outubro do ano passado, e vai receber alta ainda hoje do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que o visitou no início da tarde, Lula estava "louco" para participar do desfile da Gaviões da Fiel, cujo enredo deste ano será uma homenagem ao ex-presidente, mas os médicos recomendaram que ele descanse durante o Carnaval.
"Hoje encerram as sessões de radioterapia, encerra o tratamento formal (contra o câncer), e agora iniciará a fase de controle (da doença). O ex-presidente sai muito bem, está muito animado. Ele está louco para desfilar na Gaviões da Fiel, mas os médicos recomendaram que ele não vá, que fique em casa nesses próximos dias após a radioterapia. E ele é um paciente disciplinado com sua saúde", disse Padilha, ao explicar que, por orientação médica, Lula não deve ir ao sambódromo do Anhembi.
Lula está internado desde o último sábado, devido a uma inflamação na laringe e no esôfago - sintomas comuns no fim das sessões de radioterapia. De acordo com Padilha, que ficou cerca de uma hora com o ex-presidente, o mal-estar sentido na fase final do tratamento é "totalmente normal", e Lula poderá retomar suas atividades cotidianas em breve.
Ainda segundo o ministro, Lula irá ser submetido a uma bateria de exames no próximo mês, para verificar se o tumor foi totalmente eliminado. Mesmo após o fim do tratamento, porém, Lula terá de passar por avaliações periódicas durante cinco anos. Inicialmente, serão realizados exames mensais e, depois, semestrais. O hospital deve divulgar nesta sexta-feira um boletim confirmando o fim do tratamento. "Ele teve as dificuldades que qualquer pessoa que enfrenta o tratamento do câncer pode ter", completou.
Ao todo, foram 33 sessões de radioterapias, realizadas diariamente ao longo de seis semanas e meia de tratamento. Antes, em dezembro, Lula havia passado por três sessões de quimioterapia, que já resultaram em uma redação de 75% do tumor.
Segundo Padilha, a doença fez com que Lula se tornasse uma pessoa mais "disciplinada" com a saúde. "Ele sempre falou isso, da importância da pessoa que enfrenta um câncer ter disciplina no tratamento. ... E agora ele passa a ser uma pessoa ainda mais disciplinada com a saúde", disse. Lula é ex-fumante - ele parou de fumar há cerca de dois anos.