O senador Waldemir Moka (PMDB) foi um dos que votou contra a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo de diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) por indicação da presidente Dilma Rousseff (PT). No entanto, ele disse que não aderiu aos insatisfeitos no Senado, mas votou contra a indicação da presidente por entender que o indicado não deveria retornar a função.
"Meu voto contra foi em função de que uma pessoa com esses questionamentos não deveria ser reconduzido à Agência", disse o senador. Os senadores acusaram Figueiredo de estar sob suspeição por causa de irregularidades apontadas na agência pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Apesar do voto de Moka ter sido "por convicção", colaborou para a presidente sofrer a primeira derrota no Senado.
O senador ainda disse que seu voto não teve ligação com insatisfação da base aliada e nem com a polêmica de indicação de cargos. "Eu nunca indiquei cargo nem no do presidente Lula e muito menos agora, eu não apoiei o governo, então não me sinto em condições de indicar cargos federais", pontuou.
Moka afirmou que o senador Roberto Requião (PMDB-PR), principal opositor à nomeação de Bernardo, já vinha apontando a falta de condições do indicado para retornar ao cargo. Segundo o senador sul-mato-grossense, Requião chegou a se reunir com a bancada do partido para votarem contra a nomeação.
"O senador Roberto Requião antes da votação fez um apelo na bancada antes da votação", disse. Requião foi o primeiro orador a encaminhar a votação e relembrou a biografia do indicado, sempre dividida entre os setores públicos e privados, hibridismo que marcou sua gestão nos dois anos em que dirigiu a ANTT e se caracterizou pela sua tendência a favorecer o setor privado, em claro detrimento do interesse público
"Ninguém contesta as coisas que o Roberto Requião levanta. No final, precisou do parecer do Tribunal de Contas da União levantado toda aquela série de questionamentos", afirmou Moka.
Enfraquecida
A relação do PT com a base aliada, principalmente com PMDB parece estar estremecida. Depois da insatisfação do PMDB na Câmara dos Deputados, alegando falta de espaço, o clima de rebeldia atingiu o Senado com a votação da base aliada do governo contra a indicação da presidente. Para conter dos insatisfeitos, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que conversas já estão previstas da Dilma com as bancadas de cada partido da aliança política.
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