O Brasil não foi obrigado pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) a receber a Copa do Mundo de 2014. Com esse argumento, o senador Francisco Dornelles criticou, nesta quarta-feira (21), as demonstrações de descontentamento do governo brasileiro com as críticas da Fifa ao atraso nas obras de preparação. Para Dornelles, se o Brasil se candidatou a sede da Copa, precisa cumprir os compromissos que assumiu.
"A realização da Copa não foi imposta ao país pela Fifa. O Brasil a pleiteou de maneira legítima e a conquistou, assumindo compromissos de vulto, tanto de natureza financeira quanto de gestão", argumentou.
O senador afirmou ser evidente o atraso nas obras, especialmente nas áreas de aeroportos, expansão da rede hoteleira e mobilidade urbana. Além disso, lembrou das diferenças entre os investimentos estimados pelo governo e pela Associação Brasileira de Infraestrutura Indústria de Base (Abdib).
"Os investimentos na Copa do Mundo de 2014, segundo estimativas do governo, devem atingir R$ 26 bilhões. A estimativa da Abdib é de que a realização do evento pode significar investimentos de até R$ 117 bilhões. A diferença, no mínimo, sugere forte discrepância nos métodos de cálculos das despesas", criticou.
Para Dornelles, o Brasil deveria assumir as dificuldades, já que os desentendimentos com a Fifa podem atrapalhar a realização do evento e que as “bravatas” do Brasil não ajudam no desafio de organizar o evento.
"A Copa do Mundo 2014 não comporta fanfarronice. É inútil", concluiu o senador.