Após apresentar seu voto sobre os dez réus do mensalão listados no item quatro da denúncia, sobre lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Rural e as empresas de Marcos Valério, a ministra Rosa Weber passou a analisar nesta quinta-feira a acusação envolvendo o deputado federal João Paulo Cunha e o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, que ela não abordou no capítulo cinco, concluído na última semana. Rosa Weber votou pela absolvição de Cunha e pela condenação de Pizzolato por lavagem.
"Pizzolato, ao meu ver, tinha conhecimento da procedência criminosa da vantagem indevida recebida, com recursos lavados", argumentou a ministra. O ex-dirigente do Banco do Brasil teria beneficiado a DNA Propaganda após receber a quantia de R$ 326 mil do valerioduto e, segundo o Ministério Público, foi omisso ao permitir o repasse de R$ 2,9 milhões à empresa, que seriam de bônus de volume, um incentivo dado a agências de propagada por veículos de comunicação. Além disso, autorizou o repasse de R$ 73,8 milhões do fundo Visanet, que tinha recursos do Banco do Brasil, para a DNA Propaganda.
Quanto a Cunha, Rosa Weber disse que a situação é "diferente", já que os crimes de peculato se confirmaram posteriormente. "Não há prova suficiente para que se afirme que ele, quando do recebimento do valor, o pagamento se fazia com recursos de outro crime", disse ao destacar que há falta de provas para comprovar o envolvimento dele na lavagem dos recursos.
João Paulo Cunha e Pizzolato já haviam sido condenados pela maioria dos votos dos ministros pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro. O deputado é acusado no processo de receber R$ 50 mil das empresas de Marcos Valério, que tinha interesse em contratos com a Câmara dos Deputados, à época presidida por João Paulo Cunha.