Ao abrir a 27ª sessão de julgamento do mensalão nesta segunda-feira, o revisor do processo, ministro Ricardo Lewandowski, votou pela condenação do ex-assessor do PP João Cláudio Genu pelo crime de corrupção passiva, mas o absolveu da acusação de lavagem de dinheiro. De acordo com o ministro, não ficou provado que o ex-assessor sabia da origem ilícita dos recursos repassados pelo empresário Marcos Valério ao partido.
"Ele não tinha como saber que estes valores que recebia não tinham sido informados ao Banco Central", argumentou sobre a lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia do Ministério Público, recibos informais apreendidos no Banco Rural demonstraram que João Cláudio Genu recebeu, em nome dos líderes do PP José Janene, Pedro Henry e Pedro Corrêa, a quantia em espécie de R$ 1,1 milhão. O valor é contestado pela defesa, que afirma que R$ 700 mil teriam sido retirados em três saques. Ainda segundo a acusação, João Cláudio Genu era o homem de confiança da cúpula do partido e atuou dolosamente como intermediário na arrecadação do dinheiro.
Ao justificar a condenação por corrupção passiva, Lewandowski disse que Genu era assessor e homem de confiança do ex-deputado José Janene. "Ele era muito mais do que um simples funcionário. Não era um mero intermediário dos repasses", afirmou o ministro ao destacar a atuação de Genu como assessor de deputados na Câmara Federal e como economista responsável pelas finanças do PFL (atual DEM) no Rio de Janeiro. "Com essa experiência é difícil acreditar que tenha atuado apenas como interposta pessoa para os repasses de valores", justificou.
Na sessão da última quinta-feira, Lewandowski divergiu do entendimento do relator, Joaquim Barbosa, ao votar pela absolvição do deputado Pedro Henry (PP-MT) das acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha . O ministro ainda considerou o ex-deputado e ex-presidente do PP Pedro Corrêa culpado pelo crime de corrupção passiva, livrando-o da lavagem de dinheiro.