Política

Mensalão

Relator conclui voto sobre formação de quadrilha

Relator conclui voto sobre formação de quadrilha

Redação

18/10/2012 - 10h39
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O relator da ação penal do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, vai concluir na primeira parte da sessão desta quinta-feira seu voto sobre a última fatia do julgamento, que trata da formação de quadrilha pelos petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares, além de outros 10 réus. Ainda hoje, o revisor do processo, Ricardo Lewandowski, deve fazer a leitura do seu voto.

O capítulo da formação de quadrilha aparece no início da denúncia do mensalão, mas Barbosa decidiu deixar para o fim, para encerrar o julgamento. Após ler 30 páginas de seu voto na sessão de ontem, ele indicou que havia uma quadrilha chefiada por José Dirceu para comprar apoio político. "O que esses diálogos deixam bastante evidente é o vinculo de hierarquia e subordinação entre o Dirceu e os demais membros do núcleo político", disse Barbosa.

O relator também afirmou que o empresário mineiro Marcos Valério servia como uma espécie de secretário do chefe da Casa Civil, marcando reuniões do ministro com o Banco Rural e com empresários. "Marcos Valério, que não era detentor de qualquer posição oficial, era quem tinha a incumbência de informar Kátia Rabello (presidente do Rural à época) sobre disponibilidade da agenda de José Dirceu. Era o intermediário entre o núcleo financeiro e esse importantíssimo agente do Estado", argumentou.

O item dois da denúncia tem como réus José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério, seus sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, as funcionárias Simone Vasconcelos e Geiza Dias, o advogado Rogério Tolentino, e a antiga cúpula do Banco Rural - Kátia Rabello, José Roberto Salgado, Vinicius Samarane e Aynna Tenório.

Até agora, os ministros concluíram seis dos sete capítulos da denúncia. Na quarta-feira, a Corte aceitou sugestão de Joaquim Barbosa e decidiu realizar uma sessão extra na próxima terça-feira para julgar a ação penal. A proposta foi feita para que o plenário tente encerrar o julgamento no dia 25 de outubro. Com isso, haverá sessões na segunda, terça, quarta e quinta-feira da semana que vem.

Para Joaquim Barbosa, o número de sessões será suficiente para finalizar toda a análise do processo, inclusive as questões envolvendo empate e a definição das penas aos condenados.

No próximo dia 27, Barbosa embarca para Dusseldorf, na Alemanha, para um tratamento de saúde. O ministro sofre de sacroileíte, uma doença inflamatória na articulação do sacro, na base da coluna, com o quadril e que gera dor e desconforto. Durante as sessões de julgamento, o ministro reveza ao menos três cadeiras no plenário, sem contar as inúmeras vezes em que pronuncia seus votos de pé, na tentativa de aplacar as dores.

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