Após embates entre parlamentares da oposição e da base aliada, a leitura do relatório final que condensa as conclusões da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados ficou para esta quinta-feira. A previsão era de que o parecer, que tem mais de 5,3 mil páginas, fosse lido ontem, mas a apresentação do relatório só foi feita na manhã desta quarta.
O relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), recomendou ao Ministério Público o indiciamento de 45 pessoas ligadas a Cachoeira, mais o próprio contraventor, além do aprofundamento da investigação para outros suspeitos de integrarem o esquema do bicheiro. Entre os acusados, estão o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e o irmão dele, a noiva de Cachoeira, Andressa Mendonça, a ex-mulher dele, Andréa Aprígio, parlamentares, assessores do bicheiro e jornalistas.
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também foi citado na investigação. Cunha recomendou que o Conselho Nacional do Ministério Público investigue a conduta de Gurgel quando, em 2009, o procurador teve conhecimento da operação Vegas, que já investigava as ramificações do esquema de Cachoeira.
"Estamos analisando a conduta não do MP, mas no caso específico da Operação Vegas houve omissão do procurador em não encaminhar nenhum despacho, nenhuma diligência em relação à ação da Operação Vegas. A ação controlada que ele diz que pode ter feito significou inação. Ele precisa despachar de maneira fundamentada, ele não pode não fazer nada. Se ele provar à CPI que fez alguma coisa, aí podemos mudar a orientação", disse o deputado.
O relatório final inocentou o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e sequer citou o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), ambos da base aliada ao governo. Perguntado se o parecer com os indiciamentos seria uma represália ao mensalão (já que Perillo teria avisado ao ex-presidente Lula sobre o esquema de compra de votos em seu governo), Cunha afastou a hipótese.