Novos trechos de e-mails interceptados pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Porto Seguro mostram detalhes da engenharia financeira da quadrilha suspeita de vender pareceres e fazer tráfico de influência. Nas conversas, os integrantes do grupo usavam mecanismos para enganar os órgãos de fiscalização. As trocas de mensagens também mostram que a relação entre os investigados nem sempre foi tranquila.
O Jornal Nacional teve acesso a novos relatórios da PF que revelam que a relação da suposta troca de favores entre Rosemary Nóvoa de Noronha, ex-chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, e Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA), nem sempre foi amistosa. Paulo chegou a ser preso durante a operação, mas conseguiu habeas corpus ontem (30).
Em e-mail de 22 de abril de 2009, com o título de “cobrança sem fundamento”, Rosemary faz um relatório para Paulo Vieira sobre vários assuntos e reclama:
“Não gostei nem um pouco de suas cobranças. O que não está andando além da Anac? Bahia, caminhando bem. ANA, fiz tudo que você pediu, o que mais você quer? BB os seus dois pedidos não dependem de mim, mas estão muito bem encaminhados, eu te avisei que só serão resolvidos após a posse da nova diretoria, que é amanhã. As pessoas precisam sentar na cadeira nova e tomar pé do que está em jogo. Quanto ao pagamento que está para chegar, considero que você não está me fazendo nenhum favor (...) Não nasci ontem, não sou boba! Se você acha que não está correto, aborte o envio dos 30 livros.”, diz o e-mail.
De acordo com a PF, toda vez que os suspeitos falam em livros, eles querem dizer, na verdade, dinheiro. A queixa continua. “Quanto à viagem de navio, considero que fica pela cota dos camarotes na Bahia no carnaval dois anos seguidos. Então, pelo que você vê, meus pedidos são em número maior, mas muito pequenos em relação aos seus! Tenha paciência”, pede na mensagem.