Sem decepcionar os foliões que o acompanham há 35 anos, o Pacotão encerrou ontem (12) sua participação no carnaval 2013, levando crítica política, ironia e bom humor às ruas de Brasília. Os pacoteiros repetiram o cortejo do último domingo (10), desfilando pela contramão da W3, uma das principais avenidas da capital. A contramão faz jus ao tom contestador dos criadores do bloco, jornalistas inconformados com o regime militar então vigente.
O jipe abre-alas levava um boneco negro, de toga e peruca branca. “As pessoas, a imprensa, estão confundindo tudo, esse é o Charles Pretto, o dono do Pacotão. Joaquim Barbosa foi aluno dele”, explica Wilson Red, um dos coordenadores do bloco. “Viu que tem um dente de ouro? O ministro não tem um dente de ouro”, completa, encerrando o mal-entendido.
Segundo Red, o boneco é apenas um retrato falado, pois Pretto nunca foi visto. Mesmo assim, comanda tudo de longe, e “exigiu sair em um carro bonito porque não ia desfilar a pé”. Próximo ao boneco, as tradicionais faixas traziam referências a políticos e a figuras conhecidas, como o apresentador de televisão Pedro Bial.
O tom irônico também estava nas marchinhas executadas em som mecânico, à frente do bloco, e por uma banda com 38 músicos que seguia logo atrás. Além das músicas tradicionais de carnaval, os foliões dançavam ao som de composições próprias do Pacotão, que lembravam o mensalão, o mascote da Copa, tatu-bola Fuleco, o pibinho do Brasil e outros personagens e fatos do momento atual do país.
Fechando o desfile, um barco de pesca de alumínio despertava a curiosidade dos retardatários. O capitão se apresentou como Julio Mug, assessor parlamentar aposentado ainda em atividade na Câmara dos Deputados. Estava acompanhado de diversas moças, as sereias, e disse que sua Arca de Noé não servia para crítica política e sim para arrumar namoradas. "Ano que vem venho de lancha", garantiu.