Política

Entrevista da semana

Para Júnior Mochi aliança PMDB-PT é improvável e Nelsinho é o candidato natural

Para Júnior Mochi aliança PMDB-PT é improvável e Nelsinho é o candidato natural

Redação

24/03/2013 - 18h30
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As chances de o PMDB de Mato Grosso do Sul costurar um acordo político com o seu arqui-inimigo PT nas eleições de 2014 são praticamente nulas. Mais: a maior sigla partidária do Estado tem leque de opções e não abre mão de lançar nome de peso à sucessão do seu maior líder, o governador André Puccinelli. Na corrida pela indicação, lidera a preferência o ex-prefeito Nelsinho Trad, considerado hoje candidato natural do partido. Mas logo atrás aparece Simone Tebet, vice-governadora e considerada a responsável pelas transformações ocorridas em sua terra natal, Três Lagoas. “O seu nome é naturalmente cogitado para ser o nosso candidato em todo o Estado. Agora, isso não significa que tenhamos só o Nelsinho como opção, temos a nossa vice-governadora Simone Tebet”, afirma o presidente regional do PMDB, deputado estadual Júnior Mochi, para quem a eleição de 2014 será um plesbiscito onde o eleitorado terá a chance de avaliar os oito anos do PT e os oito anos do PMDB.

CORREIO PERGUNTA Deputado, é fato que o PMDB regional acabou esfacelado pelas divergências acumuladas ao longo do ano e, claro, pelo afastamento do foco principal que sempre foi no passado a valorização e expansão do partido no Estado. Qual é a fórmula para trazer de volta a militância e reforçar o partido para as eleições de 2014?

CORREIO RESPOSTA - É importante destacar que não há esfacelamento ou divisão interna no PMDB; o que há são manifestações de algumas (poucas) lideranças que divergem quanto ao rumo que o partido deve tomar, o que é perfeitamente natural, uma vez que estamos iniciando o processo de discussão quanto a posição da legenda em relação à eleição de 2014. Estou convencido de que a fórmula para reaglutinar e despertar o desejo de envolvimento de todo o PMDB é simples: basta despersonalizarmos um pouco a discussão e mostrarmos às nossas lideranças partidárias, aos segmentos organizados do partido e aos nossos filiados o quanto o nosso Governo ao longo dos últimos seis anos fez por Mato Grosso do Sul. Em todas as áreas de atuação de competência do Poder Público Estadual, o Governo do PMDB, na gestão do André tem resultados expressivos e de longe é o melhor governo da história de Mato Grosso do Sul. É traduzir isso em números, mostrar aos nossos filiados através dos encontros regionais que iremos fazer a partir de março até junho próximo, para que eles tenham orgulho e possam, em todas as instâncias que atuam, mostrar à sociedade o porquê de o PMDB continuar a governar o nosso Estado. Pra nós peemedebistas a próxima eleição deve ser plebiscitária, a população vai votar sim ou não à continuidade administrativa do Governo do PMDB e compará-lo ao governo anterior.

O ex-prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad, pela experiência adquirida nos oito anos de administração da Capital, é realmente o principal nome do PMDB para concorrer ao Governo do Estado em 2014?
Repetidamente eu tenho dito que o Nelsinho é o candidato natural do partido, isso significa que tem preferência à candidatura em razão da avaliação administrativa que teve junto à população do maior colégio eleitoral do Estado, que é a nossa Capital. O seu nome é naturalmente cogitado para ser o nosso candidato em todo o Estado. Agora, isso não significa que tenhamos só o Nelsinho como opção, temos também o nome da nossa vice-governadora Simone Tebet, que também teve atuação destacada frente à administração municipal de Três Lagoas e contribui muito para com o sucesso da nossa atual administração estadual.

Há ainda a possibilidade de o PMDB abrir mão de candidatura própria ao Governo do Estado para apoiar o senador Delcídio do Amaral numa aliança com o arquirrival PT? Ou isto não passa de mera especulação?
Particularmente eu entendo que é uma possibilidade muito remota. Pela experiência não posso dizer impossível, mas posso afirmar improvável. Entendo que as divergências havidas ao longo dos últimos processos eleitorais nos distanciaram muito desta possibilidade.

O que o partido irá fazer para dar musculatura à candidatura de Nelsinho Trad à sucessão do governador André Puccinelli? O partido já tem estratégia construída para enfrentar Delcídio?
Volto a reafirmar, o senador Delcídio ao que tudo indica será o candidato a ser homologado pelo PT. Caso haja a polarização entre a sua candidatura e a do PMDB, a população de Mato Grosso do Sul terá a chance de avaliar os resultados obtidos pelo governo do PT nos oito anos que administrou e compará-los aos oito administrados pelo PMDB. É isso na verdade que deveremos tratar no processo eleitoral. Vamos comparar o desempenho na gestão, no resultado fiscal e tributário, no controle dos gastos, nos investimentos na Educação, Saúde, na Segurança Pública, na Habitação, na Infra-Estrutura e principalmente nos Programas Sociais e na atração de investimentos privados. É esse debate que nós queremos levar à sociedade sul-mato-grossense, o resto é desvio de foco. Por conhecer os números e ter a convicção ao afirmar que o Governo do PMDB na gestão André Puccinelli é referência em todas as áreas para o País é que ouço dizer que a sua continuidade é importante e fundamental para a população de Mato Grosso do Sul.

Em um ano que promete a partilha dos royalties, de FPE e FPM reduzidos por conta de nova promessa de substituição à Lei Kandir, qual as ações do Governo para manter obras essenciais e projetos sociais no Estado?
O nosso governo, embora possa receber críticas em relação à sua ortodoxia no tocante ao controle rígido das finanças, sempre planejou as suas ações considerando o pior cenário e a receita de caixa, para não ser surpreendido por medidas externas que possam interferir negativamente e atrapalhar o que estava planejado. Com o André funciona mais ou menos assim: planeja, avalia as prioridades de cada área e provê os recursos. Qualquer que seja a ação tem que ter data pra iniciar, para concluir e dinheiro em caixa para pagar, senão nem inicia. Diante deste quadro, estamos todos lutando para que haja a partilha dos Royalties, a melhora na participação do Estado na distribuição do FPE e no ressarcimento justo da Lei Kandir, o que beneficiará sensivelmente as finanças e por conseguinte os investimentos por parte do Estado. Caso isso não ocorra, os investimentos serão menores mas não deixarão de acontecer.

Em dezembro, um dos maiores e mais ambiciosos passos para o desenvolvimento da região norte do Estado foi concretizado com a inauguração da BR-359. O que de concreto essa estrada significa para expansão econômica?
É a materialização de um sonho acalentado por cerca de três décadas por toda a população da região norte do Estado. Por outro lado, encurta as distâncias entre a nossa região e grandes centros consumidores do País como Brasília e Goiânia, nos interliga com a Ferronorte, o que reduz o custo de transporte dos nossos produtos e garante o escoamento da nossa produção, abrindo a perspectiva de investimentos privados.

O senhor disse, em recente entrevista ao Correio, que por conta da abertura de um “canal de escoamento” da BR-359, serão incorporados 500 mil hectares ao setor produtivo do Estado. O que significa essa referência para a economia do Norte?
Não dá pra pensar em diversificação da atividade agropecuária em uma região que não tem estradas pavimentadas para garantir o escoamento da sua produção. Só para se ter uma ideia, além da dificuldade e do aumento do custo do transporte quando a estrada é de terra, as pontes que eram madeira não suportavam carga com peso superior a 20 toneladas, o que encarece o custo da produção e dos insumos necessários à atividade. Agora a diversificação da produção é questão de tempo e de oportunidade, pois temos a infraestrutura básica para isso.

Já existem grupos interessados em aterrissar com investimentos na região. Quais segmentos podem concretizar instalação?
Tive a oportunidade de prospectar e levar três grupos interessados no plantio de florestas e atividade industrial agregada. Esta é uma das atividades econômicas que mais cresce no estado e a região, após a conclusão da obra, passa a ser uma nova opção para os investimentos na área. Mas não se restringe a essa atividade; outras estão sendo prospectadas e estudadas e estamos discutindo um incentivo fiscal diferenciado regionalmente para que possamos ser ainda mais atrativos aos investimentos privados. Tenho certeza de que daqui pouco tempo teremos a região inserida no contexto dos grandes investimentos privados que aportam no Estado. 

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