A Comissão de Ética da Presidência enfrenta dificuldade para intimar alvos da Operação Porto Seguro, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado para apurar esquema de corrupção e tráfico de influência no governo federal.
O presidente da Comissão, Américo Lacombe, disse que o caso não será julgado na próxima reunião porque nem todos os investigados foram localizados. "Tem gente que não foi intimada ainda porque está fugindo da intimação", afirmou Lacombe na noite de ontem (15).
Lacombe, contudo, não revela quem foge da Comissão de Ética. Limitou-se a dizer que apenas um dos quatro investigados entregou explicações.
Em março passado, foram enviados ofícios com novos pedidos de esclarecimentos à ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo Rosemary Noronha, ao ex-advogado-adjunto da União José Weber Holanda, e aos irmãos Rubens e Paulo Vieira, ex-diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e ANA (Agência Nacional de Águas), respectivamente.
Apesar de serem processos distintos, a Comissão de Ética decidiu ainda julgar o caso do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, junto com o dos outros quatro. "Pode haver conexão no que se refere às provas", justificou Lacombe.
Academia
A Comissão também vai analisar o caso de Alessandro Teixeira, secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, filmado usando carro oficial para ir à academia.
Segundo Lacombe, Teixeira se antecipou e, antes mesmo de ser questionado formalmente, encaminhou explicações à Comissão. "É muito grosso, ele juntou até mapa, essa coisa toda", disse o presidente da Comissão de Ética, afirmando que o caso será analisado na próxima reunião, marcada para o dia 20 de maio.
Questionado sobre as regras de uso de carro oficial, Lacombe disse que o tema de ser "estudado com muito carinho e bom senso".
Supremo