As primeiras pesquisas de boca de urna, realizadas na manhã de hoje (21) indicam vantagem para o empresário multimilionário Horacio Cartes, candidato do Partido Colorado à Presidência do Paraguai. Em segundo lugar, está o ex-ministro de Obras Públicas e candidato do governo, Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico.
Aos 56 anos, Cartes é um novato na política. Até hoje, nunca tinha votado em eleição presidencial (apesar de o voto, no Paraguai, ser obrigatório). Dono de 25 empresas, entre as quais, um banco e fábricas de cigarros e de refrigerantes, filiou-se ao Colorado em 2009 e conseguiu modificar os estatutos partidários para se lançar candidato.
Na época, o centenário Partido Colorado acabava de perder a hegemonia no poder. Depois de estar no governo do Paraguai por 61 anos ininterruptos (35 deles durante uma ditadura), o partido foi derrotado nas eleições presidenciais de 2008 por uma aliança de partidos de esquerda com os liberais, que levou ao poder o ex-bispo Fernando Lugo. Ele foi destituído pelo Congresso (de maioria oposicionista), em junho passado, e substituído por seu vice, o liberal Federico Franco.
Na campanha, Cartes explorou a imagem de empresário bem-sucedido, criador de postos de trabalho. A agropecuária é a principal atividade do país, mas não emprega mão de obra intensiva e depende do clima, que é instável. Mas sérias acusações pesam sobre o empresário, dentro e fora do Paraguai.
Em entrevista coletiva na manhã de hoje (21), antes mesmo de votar, ele atribuiu as denúncias a uma campanha suja da oposição. Na página de sua ala política, Honor Colorado, ele se defende – inclusive de um processo aberto pela Receita Federal brasileira, em 2004, sobre a suposta remessa irregular de divisas do Brasil para o Paraguai.