Manifestantes que participam da Marcha da Maconha hoje em São Paulo entraram em confronto com policiais. O ato, que começou na av. Paulista, vinha ocorrendo de forma pacífica até que, na altura do número 1.029 da rua Augusta, um manifestante se desentendeu com um PM, que o prendeu.
Na sequência, integrantes da marcha tentaram impedir a detenção e hostilizaram os policiais, que responderam com golpes de cassetete e gás lacrimogêneo.
Houve correria e confusão até a altura da esquina da Augusta com a rua Costa, quando os
PMs fizeram uma linha de contenção e a marcha foi retomada.
A polícia informa que uma pessoa foi presa por posse de entorpecente e encaminhada para o 78º DP, nos Jardins.
De acordo com o major Élcio Góes, comandante da operação da PM, 150 policiais foram destacados para acompanhar a marcha. O esquema de segurança inclui a chamada "operação Olho de Águia", na qual duas motos equipadas com câmeras vão filmar o ato, enviando as imagens automaticamente para uma central de monitoramento.
Góes disse acreditar que não haveria consumo de maconha durante o ato, mas que seria feita a repressão caso o uso da droga fosse flagrado pelos policiais.
No entanto, já com a caminhada em curso pela rua Augusta, que foi ocupada nos dois sentidos, a reportagem presenciou o uso da maconha por diversos manifestantes, sem que os policiais tomassem qualquer iniciativa para coibir a prática até aquele momento.
A marcha
A manifestação de hoje é a segunda Marcha da Maconha realizada em São Paulo depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) assegurou a legalidade desse tipo de protesto, em junho de 2011.
A concentração para o ato começou às 14h no vão livre do Masp e seguiu em direção ao centro da capital. Em acordo com os manifestantes, a Polícia Militar liberou a ocupação de três faixas da via no sentido Consolação.
Neste ano, o ato tem como lema a frase: "Proibição mata: legalize a vida". A organização da Marcha esperava cerca de 5 mil, atraídos por shows de bandas de rap e reggae que acontecerão na região da praça da República.
Às 17h40, a Polícia estimava a presença de cerca de mil pessoas na marcha. Um dos organizadores do ato, o vereador no Rio de Janeiro Renato Cinco disse que essa foi a maior marcha que ele já presenciou o no país, e estimou 9 mil participantes.