Política

Senado

Renan quer elaborar 'pauta positiva'

Renan quer elaborar 'pauta positiva'

Redação

24/06/2013 - 16h24
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Em um recado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), senadores reclamaram hoje da demora do Congresso em dar respostas à sociedade sobre as manifestações que mobilizam milhares de pessoas no país.

Vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) disse que há dez dias o povo "está nas ruas" e o Legislativo não colocou a crise política em pauta.

"O que lamento é que estamos há dez dias com o povo na rua, o Executivo se reunindo, e aqui no Congresso, a instituição mais cobrada, não se faz reunião de emergência com os líderes, não se chama as direções da Câmara e do Senado para discutir. O Congresso tem que dar respostas", protestou Viana.

Presidente do Congresso, Renan prometeu se reunir com os líderes partidários esta semana para definir uma "pauta positiva" de votações. A ideia é colocar em pauta projetos que atendam a parte das reivindicações populares, como matérias da reforma política e de combate à corrupção. A reunião deve ocorrer amanhã.

Renan vem mantendo conversas com aliados nos bastidores para definir as propostas que vão entrar na pauta de votações no Senado. O senador espera o resultado da reunião da presidente Dilma Rousseff com governadores e prefeitos para definir a pauta positiva.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) também criticou a demora do Congresso em atender às manifestações populares. "Precisamos discutir propostas, está demorando muito. Temos que debater a PEC 37 [que limite poderes do Ministério Público], quero ver os defensores subirem à tribuna para defendê-la."

Líder do PT, o senador Wellington Dias (PI) também cobrou uma reunião entre as lideranças do Congresso para discutir as manifestações. "Temos que reunir o colégio de líderes para que não possa se perder de vista tudo isso. Como líder do PT, há da minha parte e dos demais líderes essa concordância", afirmou.

Aliado de Renan, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o presidente do Senado está discutindo propostas a serem analisadas pela Casa. Mas afirmou que o Congresso não pode agir de "afogadilho" sem levar em conta custos e impactos das propostas em discussão na Casa.

"Ele está levantando a pauta para votações em todas as áreas. O senador Renan vai conversar com os líderes, tem conversado permanentemente. Temos que ver o que é pleito, o custo do pleito e entendermos o recado das pessoas. Qualquer reação de afogadilho pode ser precipitada em cima de custos públicos", afirmou.

Jucá disse que as principais reivindicações dos manifestantes, como a rejeição da PEC 37 e do projeto que institiu a "cura gay" estão na Câmara --por isso o Senado tem que definir outras propostas para atender às reivindicações populares.

Reforma política
Senadores criticaram a proposta de reforma política apresentada hoje pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil). Jorge Viana disse que a reforma é "café requentado" porque trata de temas que estão há vários anos em discussão no Congresso.

Um grupo de senadores cobra uma reforma mais radical, com medidas que tenham impactos imediatos no sistema político nacional --como a permissão de voto avulso, sem o candidato ser filiado a nenhum partido, mudanças na atual estrutura partidária e fixação de teto para gastos em campanhas eleitorais.

"A reforma política tem que ser nova, radical. Não é apenas um setor da sociedade se manifestando, é o seu conjunto. Temos que combater definitivamente a corrupção eleitoral", disse Viana.

Na opinião de Pedro Taques, não há vontade política do Congresso para aprovar a reforma política. "Infelizmente, aqui não se vota a não ser por interesses outros, que não são republicanos. Temos que fazer a reforma numa Constituinte exclusiva, sem perder mais 20 anos nessa discussão."

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