O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) afirmou ontem que garantir a segurança do papa Francisco foi mais "difícil e complexo" do que será na Copa 2014. Para Cardozo, a Jornada Mundial da Juventude, que reuniu cerca de 3 milhões de pessoas no Rio durante uma semana, é um evento muito diferente do ponto de vista da segurança pública. "Foi uma situação de grande risco", disse, se referindo, em especial, às exigências do próprio papa para flexibilizar o esquema de segurança e às paradas inesperadas em meio à multidão.
"O trabalho de segurança é mais difícil e mais complexo do que foi feito na Copa das Confederações e me parece que mais difícil do que será na Copa do Mundo", disse, explicando que se trata de um evento de massa onde não se sabe de onde vem e para onde vai a multidão.
Além disso, afirmou o ministro, foi uma recepção de um chefe de Estado que é líder religioso e atrai multidões pelo seu carisma. "Em certos momentos, pelo inesperado, nossos dedos ficavam gelados", disse o ministro da Justiça. Problemas de organização marcaram toda a Jornada Mundial da Juventude, que terminou ontem com missa em Copacabana celebrada pelo papa Francisco. As falhas do evento começaram pouco mais de meia hora depois do desembarque o papa no Brasil, na segunda-feira. Um engarrafamento prendeu o comboio papal, que saiu da base aérea do Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, com direção à Catedral Metropolitana, no centro do Rio. A Polícia Federal mobilizou 700 homens para trabalhar diretamente na segurança do papa, sendo que 48 atuaram diretamente junto ao pontífice. Ainda assim, o carro que levava Francisco foi cercado por centenas de pessoas, para desespero da equipe de segurança.
A comitiva errou o trajeto e expôs o papa a um risco desnecessário. Em vez de seguir pela pista do meio da avenida Presidente Vargas, o comboio papal pegou a pista do canto, onde centenas de ônibus que tinham sido desviados da outra pista estavam parados.
Na ocasião, Cardoso afirmou que o problema ocorreu por um erro na comunicação entre o centro de controle do governo do Estado e a prefeitura. Hoje, ele admitiu que houve uma falha, mas insistiu que a responsabilidade foi de funcionários da prefeitura carioca.
"Lamentavelmente houve uma desconexão [de comunicação]. A pessoa da prefeitura não repassou o briefing exposto pela manhã ao centro de controle de trânsito. Aqueles ônibus não poderiam estar lá. Aquilo nos surpreendeu", disse Cardozo, ponderando que, apesar da tensão, policiais que estavam ao lado do papa classificaram a situação como serena.
"Houve aquele problema, mas não houve risco. Foi sanado e corrigido", garantiu Cardozo, informando que os funcionários da prefeitura foram substituídos.