O bate-boca protagonizado pelos ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski, que interrompeu abruptamente a sessão de julgamento dos recursos do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (15), deve se estender até a semana que vem.
Lewandowski indicou a colegas que planeja levar ao plenário questão de ordem em que vai exigir o direito de votar sem ser interrompido por Barbosa. Ministros consultados pela Folha temem que a ação possa exacerbar ainda mais os ânimos.
Na quinta-feira, durante a votação do recurso do ex-deputado Bispo Rodrigues, Barbosa acusou Lewandowski de fazer “chicanas” jurídicas com o objetivo de atrasar o processo. Disse ainda que o colega não respeitava o STF. Ao ouvir as críticas, Lewandowski pediu retratação de Barbosa, o que foi negado de pronto pelo presidente. Os ânimos se exaltaram e a sessão foi encerrada pelo presidente.
A discussão era sobre um pedido do ex-deputado Bispo Rodrigues, condenado no mensalão. Essa segunda etapa do julgamento trata dos embargos de declaração, recurso que não serve para alterar a decisão, apenas para esclarecer pontos obscuros. Ainda assim, Lewandowski levantou pontos da primeira fase do julgamento, que tiveram votação unânime e que poderiam agora diminuir a pena de Rodrigues.
Para o ministro Marco Aurélio Mello, Barbosa errou ao criticar o colega. “O presidente da corte deve se portar como um algodão no meio de cristais”. Em sua opinião, o STF deveria “suplantar este episódio”, uma vez que, caso Lewandowski resolva reabrir a discussão, as implicações serão “imprevisíveis”.
“BULLYING”
Além de Mello, outros ministros ouvidos pela Folha acreditam que Lewandowski não deveria retomar o caso. O problema é que, em conversas reservadas, o ministro diz que está sofrendo “bullying” de Barbosa, que, em sua visão, estaria querendo “alavancar sua popularidade”.
Para evitar o confronto em plenário, Lewandowski tem dito que ainda espera pedido de desculpas de Barbosa ou até mesmo manifestação de solidariedade dos demais ministros do STF. Até sexta-feira (16), um pedido de desculpas era algo descartado por Barbosa. Segundo um ministro, o presidente acredita que o revisor estaria agindo deliberadamente para atrasar o julgamento dos recursos dos réus do mensalão e para criar embaraços à sua gestão.