O discurso de ontem da presidente Dilma Rouseff nas Nações Unidas, crítico à espionagem dos Estados Unidos, não afeta o comércio bilateral, afirmou o ministro Guido Mantega.
"As relações comerciais e financeiras vão muito bem com os EUA. Estamos hoje no [banco] Goldman Sachs, ontem fui no Bank of America e também falamos com JPMorgan. As grandes instituições americanas estão presentes nas nossas relações", disse.
Mantega participa de seminário empresarial no Goldman Sachs, onde se discute as oportunidades em infraestrutura no Brasil com mais de 300 investidores americanos, canadenses e europeus.
Também estão presentes o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e os presidentes do Banco Central, Alexandre Tombini, e do BNDES, Luciano Coutinho. A presidente Dilma fará o discurso de encerramento.
A ofensiva brasileira ocorre poucos dias após os revezes nos leilões para a concessão do Campo de Libra do pré-sal e de rodovias, que atraíram menos interesse do que o esperado.
O presidente para América Latina do banco americano, Alexandre Bettamio, disse à BBC que o encontro foi realizado por demanda dos clientes. "Há muito interesse no Brasil", disse.
Mantega defendeu, no vento, que a presença americana financeira e econômica no país só tende a aumentar. "Temos hoje preços competitivos para exportar aos EUA a partir do nosso patamar de câmbio e custo."
Discurso
Ontem, Dilma criticou os Estados Unidos por promover a espionagem de telefones e dados de internet da Presidência da República e da Petrobras, e defendeu a criação de um marco de internet para evitar novos abusos.
A presidente, que já cancelara visita que faria à Casa Branca em outubro devido ao caso, classificou como "afronta" as denúncias de espionagem e afirmou que "imiscuir-se na vida de de outros países fere o direito internacional" e que essa não é prática de "nações amigas".
A brasileira ainda comentou sobre a crise síria, as manifestações no Brasil em junho e a política de desenvolvimento sustentável.