Diante das manifestações que ocorreram nesta terça-feira (8), na Câmara Municipal de Campo Grande, o presidente da Casa, vereador Mario Cesar, encerrou a sessão sem que o pedido de abertura da Comissão Processante contra o prefeito Alcides Bernal (PP) fosse votado.
Manifestantes tumultuaram a sessão e, em alguns momentos, jogaram moedas nos parlamentares. Em razão do protesto, o vereador Waldecy Chocolate (PP) chorou.
Conforme Mario Cesar, o trabalho foi encerrado depois de constatado que os parlamentares não contavam com segurança suficiente para ler o relatório em plenário e votar o pedido de abertura da comissão.
Reunião
Após o encerramento da sessão, representante do Movimento Nacional de Luta pela Moradia, Abílio Borges, presidente da Federação dos Trabalhadores da Educação em Mato Grosso do Sul (Fetems), Roberto Magno Botarelli César, vereadores Mário César e José Orcírio Miranda dos Santos (PT), e outras nove pessoas participaram de uma reunião que demorou cerca de 2h.
Se dizendo representante de movimentos sociais, Abílio comentou que é preciso democracia e que não pode existir golpe no Governo. Para pressionar os parlamentares, ele garantiu que os movimentos sociais são contra a cassação do prefeito Bernal e o pedido de abertura da Comissão Processante.
Organizadores da manifestação ameaçaram acampar na Câmara caso o relatório fosse aprovado.
O presidente da Casa então pediu que os movimentos sociais cobrassem Alcides Bernal da mesma forma como cobraram os parlamentares. Em troca, os vereadores se comprometeram a dar uma trégua e não votar o relatório na próxima quinta-feira (10), como estava previsto. O assunto só será retomado na terça-feira (15).
Mário Casar pediu ainda que os manifestantes não acampassem na Câmara Municipal e que deixassem o local ainda na tarde de hoje.
Os representantes dos movimentos disseram que às 16h de hoje se reunirão com o prefeito Alcides Bernal.
Pedido
No último dia 30, o empresário Luiz Pedro Guimarães e o funcionário público aposentado, Nonato de Carvalho, protocolaram na Procuradoria Jurídica da Câmara pedido para abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Bernal.
Depois de analisar o pedido, a Procuradoria Jurídica encaminhou o documento para votação em plenário. Para isso, é preciso quorum de 15 parlamentares presentes e pelo menos oito vereadores a favor do pedido, o que representa uma aprovação por maioria simples.
Aprovado o pedido de abertura, ainda na mesma sessão, três vereadores serão escolhidos, por meio de votação, para compor a comissão, que terá 90 dias para concluir os trabalhos.